terça-feira, 10 de novembro de 2015

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Tentações

A poucos metros do meu gabinete, foi hoje colocada uma máquina com vários chocolates e doces. E bolachas. E coisas às cores que não sei o que são mas que me parecem bastante interessantes às 18 horas. 
Já passei por ela uma dezena de vezes, olho de esguelha, mas resisto. 

Não sei até quando. 

Para quando máquinas de venda de bagas de goji*, de brócolos ou de cenouras?

A enfrentar desafios profissionais desde 2007.

*Nunca provei uma coisa destas, mas diz que faz bem a não sei o quê.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Lembrete

Não esquecer de jogar no Euromilhões para, na sexta, sentir a grande emoção de descobrir que serei pobre toda a vida.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Ai que bom

Entrada em funções de um novo colega. Único homem num piso só de mulheres.
Mulherio sorridente, saltitão, em pulgas.
Como o rapaz é novo e já não faz parte dos seus horizontes de conquista, iniciaram a operação "vamos impingir a Kikas". Ele é piscares de olho óbvios e embaraçosos, ele é venderem-me para tomar café e fazer companhia nas pausas do dia...toda uma histeria de feromonas.

E eu a ver. Calada. Numa segunda feira. De manhã.
Sinto-me com a sorte de quem foi atropelado por um camião.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Quando a hierarquia funcional não é suficiente

Entro na sala da chefe para a reunião semanal.
Olha para mim, sorri e, envergonhada, exclama:

- Está com uma camisa igual à minha! (Só então reparo nesse pormenor "importantíssimo")
- É verdade. Comprei ontem a minha.
- Eu também, mas sabe que foi uma excepção. Nunca compro Zara, ontem aconteceu. Não gosto da qualidade, é uma gama mais baixa não sei, um pouco mais rasca...
Perante tamanha delicadeza de adjectivos e embaraço, decidi ajudá-la a sentir-se melhor:
- Já eu não, costumo comprar nos chineses, só de vez em quando é que aposto em coisas um pouco melhores. Ontem apostei na Zara.

Não é verdade, mas adorei ver a cara de horror. Na hierarquia da futilidade, não me importo de ficar por baixo. 

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Eu não sei como faço isto


Mas assumo-me como enleadora profissional, nasci com esta competência.
Ando a atender telefonemas com a cabeça deitada na secretária.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Dia do Idoso

Dia do Idoso e a minha avó decidiu "presentear-nos" com uma ida de urgência para o hospital e um grande aperto no coração que, nestes momentos, fica quase tão fraco como o dela...

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Toda eu estremeço

Inícios de frase que me fazem estremecer:
"Diga-me SÓ uma coisinha (...)"; 
"Veja-me SÓ se é possível (...)";
"Escreva aí SÓ três linhas (...)"
"Dê-me SÓ uma opinião rápida sobre (...)"

Em Direito não existe "-inhas", nem "Sós" nem rapidinhas.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Caminhos sem GPS

Quando conduzo, pese embora considere que na generalidade até conduzo bem, cometo amiúde alguns erros provenientes do facto de não ver muito bem (e nem sempre levar óculos), ou de ir profundamente distraída com os pensamentos ou com uma conversa. Embalada que vou, nem reparo que viro em ruas erradas, sentidos proibidos, becos sem saída. 
Está lá sempre o sinal, mas eu não vejo. 
O erro é notado quando me deparo com a necessidade de voltar para trás, ou, se for acompanhada, pela voz  de alguém que me diz "Então não viste o sinal? Não era para aqui!".
Por vezes acedo, reconheço o lapso num instante, corrigindo-o logo em seguida. Outras vezes não, teimo que estou certa, "Tem saída, tem! É por aqui". E não é...raramente é. Volto para trás, desculpo-me com  a péssima visão, o péssimo sentido de orientação, com o facto de estar convicta, ou então, com um já desesperado "É fácil ir aí ao lado!".
E é, de facto, bem mais fácil. Sou óptima co-piloto, sempre atenta, sempre perspicaz, sempre cautelosa. Aconselho bem, vejo tudo, é difícil haver enganos.

Na vida, acontece igual. Não tenho co-piloto, não quero ter. Faço caminhos, convicta da assertividade, não preciso de óculos. Mesmo quando desconfio que errei no caminho, recuso-me a acreditar nisso, "vou continuar, até encontrar uma parede que me barre", penso. E é com desilusão que a vislumbro, lá ao fundo, alta e imponente. Viro para trás? Não. Preciso de continuar, chegar mais perto...preciso de bater. 
Saio, calculo os estragos, reúno as peças. Estou viva? Estou.
Entro novamente e faço marcha atrás convicta de que não falharei mais nenhum sinal mas, no fundo ,torcendo sempre para que aqueles que vier a encontrar estejam todos errados.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Calor humano

Um aperto de mão firme a quem tem uma uma mão com duas vezes o tamanho da minha, pode ser um acto arriscado.
Três segundos foram suficientes para esfrangalhar uma pulseira que caiu, trucidada, no chão. Não ter ficado sem pulso foi uma sorte.

Receber calorosamente alguém pode sair caro. Mais precisamente, 15 euros. 
Estou desolada.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

O mistério

Há dias que tenho vindo a reparar numas marcas que vão surgindo na minha mesa, como se tivessem sido feitas de propósito.
Num dia uma, noutro dia outra...
O estranho é que estão na ponta da secretária, num sítio onde não mexo, acrescendo a isto o facto de que trabalho numa sala sozinha e que fecho a porta à chave todos os dias.
O mistério até seria giro de desvendar se eventualmente não se tratasse de um qualquer maluco ou se, mais tarde, não me viessem dizer que ando a escrever na mesa, qual miúda do 9º ano aborrecida nas aulas.
Bem, regressar de férias e não encontrar "Seven days" escrito a x-acto já vai ser óptimo.
 

Grandes projectos

O grande erro das pessoas é não perceberem que são os pequenos pormenores, os pequenos gestos do dia a dia que constroem a felicidade estável que define toda uma vida.
Dão tudo em grandes projectos arquitectónicos que jamais saem do papel (ou da imaginação), esquecendo-se que para um dia a obra ser grande, é preciso começar colocar as primeiras pedras.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Estou a sair

E pronto. É mesmo hoje.
Saí do armário e o resto que se lixe.

(A quem, por engano, algum dia vier aqui parar por questões de orientação sexual, peço desculpa. Sou óptima a defraudar expectativas)

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Andamos literalmente metaforicamente f*didos

Desço lá abaixo e como já vem sendo habitual nos últimos tempos, o ambiente que paira por aqui não é dos melhores. Hoje por acaso não sou eu, que estou bem leve, assim saltitona, até porque é sexta feira e não há necessidade de gastar muitas energias - vamos dando vez uns aos outros, que isto não há coisa má linda do que a solidariedade moral e institucional da chatice.

Eu - Eh lá! Que cara é essa?
Colega - Nem me fale. Estou literalmente com a mosca hoje, é que literalmente!
Eu - A mosca é que não está literalmente consigo, que não estou a ver nenhuma...
Colega - Hum? Estou chateada! A kikas percebeu.
Eu - Claro que sim, estava a brincar com a metáfora...Não se aborreça, é sexta feira!

É uma praga este abuso do sentido literal para expressar um figurativo, sendo que ambos são literalmente antónimos. São poucas as vezes que oiço um "estou literalmente na merda" (para expressar um sentimento de tristeza) que a minha cabeça não me remeta para a imagem da alegria do meu cão a rebolar-se em cima de um cocó (actividade que ele muito aprecia sempre que nos apanha distraídos).
Nestes casos, parece-me que mais do que não conhecer - ou já ter esquecido - a gramática, o grande mal é haver momentos na nossa vida em que as grandes fodas metafóricas ultrapassam olimpicamente as literais.
 
 

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Fashion adviser

Nas compras, sozinha, saio do provador com umas calças que no cabide pareciam lindas, mas em mim pareciam um pijama.
Indecisa, olho-me pelo o espelho grande. Dou uma voltinha, mais outra, olho por trás...Uma mãe que aguardava do lado de fora pela filha, observa-me com atenção e diz:
- Ficam-lhe muito bem.
- Obrigada, mas não sei...isto com sandálias rasas pareço que estou de pijama! - respondo.
- Mas isso fica muito bem com umas plaNtaformas!
Aguento-me firme.
- Com plataforma acho que não é adequado...
- A plaNtaforma fica bem com tudo! Com uma saia bem curtinha, com uns calções daqueles curtos uma plaNtaforma também vai muito bem. Eu, se tivesse pernas, usava plaNtaformas o Verão todo.
Os cantos da minha boca já não estavam a aguentar. Só me lembrava da senhora que se queixava dos problemas da Ómidade.
Agradeci e fugi para dentro ainda a tempo. Por pouco.

Desisto

Depois da experiência dos iogurtes para o lanche, começa cada vez mais a ganhar força a convicção de que a "alimentação saudável" não leva nada de mim.
Não jantei em casa. 
Depois de estar ali, vai não vai entre um hambúrguer e uma coisa "levezinha, que não faz mal nenhum", optei pelo salmão grelhado cheio de verdes a acompanhar, ervas aromáticas e o catano.
O resultado é serem estas horas (há uns tempos atrás, uma da manhã era o início da noite...estou um nojo de tão bem comportada), já estar a cambalear de sono, mas ter de estar sentada na cama, com uma água das pedras na mão para evitar expelir as entranhas.

Salmão...Salmão grelhado um raio! Burra. Tenho a certeza que o McDonald's não me ia deixar ficar mal.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Faça lá outra vez!

Tenho uma mania que é apanhar os tiques das pessoas e imitá-las.
Já em pequena, pelos 3 anos, imitava a minha mãe, uma pessoa com expressões e trejeitos muito característicos. Aquilo era uma festa na casa da minha tia sempre que apanhava a minha mãe distraída, não fosse eu ver aqueles olhos do demo e acabar-se logo ali a risota (eu ainda sou do tempo em que bastava um dos pais arregalar os olhos, com "aqueles" olhos, para ficar tudo em sentido. Quer dizer, às vezes).
Qual macaquinha bem mandada, bastava que me dissessem "Imita lá a tua mãe, que ela não está a ver. Como é que ela faz?", e lá ia eu a correr buscar uma cadeira, trocava a perna, fingia tirar um cigarro e de nariz empinado lá ensaiava, ainda sem diccionar bem as palavras, um qualquer raspanete da praxe com voz meio anasalada - não sei onde a minha mãe apanhou estas coisas, pois ela está para Cascais como eu estou para Mirandela: nada a ver.
E lá riam todos, para meu deleite.

Os anos foram passando, a criança cresceu em tamanho, mas em espírito nem sempre.
Embora tenha um trabalho que exija uma postura séria, de vez em quando lá abro uma excepção, ainda que involuntariamente. Sem querer, já dei comigo a encenar enquanto relato determinados episódios entre colegas. Sai-me!A seriedade da situação é então rapidamente desmanchada pelos risos, "É que é mesmo assim! Faça lá oura vez!".
A preferência vai para a imitação do sotaque de uma senhora ucraniana. Aconteceu numa situação e ninguém se esqueceu.
Hoje, cheguei lá abaixo aborrecida com um assunto. A técnica daquelas sacaninhas (expressão usada com carinho) é desarmarem-me com "Deixe lá isso! Imite lá o sotaque da Dr. X, para nos rirmos todos um bocadinho! Vá lá".
Sorrio. Mas já não tenho 3 anos e o bom senso aconselha-me a recusar delicadamente.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Vou amuar

When asked why all Minions were male, the creator said "Seeing how dumb and stupid they often are, I just couldn't imagine Minions being girls"
 
É fofo. É justo.
Mas ainda assim, o que quero mesmo é ir ver o Terminator Genisys, e toda gente me torce o nariz...Sofro.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

O meu herói


 Costumo falar muito sobre os conselhos que o meu pai me dá, que me ensinam muito, ainda que agora em idade adulta, por vezes me recuse a aceitá-los (frequentemente dando-lhe razão mais tarde) ou lhes torça o nariz. Faz parte. Mas oiço-os sempre porque, para mim, o meu pai é a imagem da sabedoria, da força, da coerência, da perseverança - é tudo o que um dia eu gostava de ser. Gostava de ser Grande. Só não acho possível vir a conseguir ser como ele porque aí não há hipótese...o meu pai é, simplesmente, Enorme.
Ontem, a lição veio da forma mais chocante e mais crua, sem espaço ou tempo para as palavras.
Após o jantar, o meu pai quis ir visitar a minha tia, irmã dele. Nunca acontece durante a semana, mas ontem, bem, ontem parece que “tinha de ser”. Quis a companhia da minha mãe que, por estar atarefada com arrumações e outros assuntos, recusou ir. “Porque não vamos amanhã e eu hoje acabo isto?”, ainda perguntou - “Porque não, porque quero ir hoje. E vou.”.
Aquele homem, que detesta andar sozinho e tem sempre a necessidade de ir a falar com alguém, não saiu sem antes ir desafiar-me ao quarto. Eu, qual velha, a desfazer-me de cansaço frente à televisão depois de um dia extenuante de trabalho (pronto, estou a dramatizar, era preguiça mesmo), ainda arrisquei um "não me apetece" mas lá fui convencida.
Chegados à casa da minha tia, pelas 21:30h, silêncio total.
Pessoas normais teriam pensado que não estava ninguém em casa, ou que já estava tudo a dormir, teriam rodado os calcanhares e ido embora. Mas não, nós não somos normais. O meu pai não descansou enquanto não soube da irmã. Ora batia à porta, ora tentava o telemóvel, ora o telefone fixo que insistentemente ouvíamos tocar lá dentro.
Algum tempo depois, a porta abriu-se. Descalça, de vestido atabalhoadamente enfiado por cima da camisa de dormir, a minha tia recebeu-nos com um sorriso. Já estava deitada, "ah mas uma visita sabe sempre bem".
Sentámo-nos no pátio em redor da mesa de jardim, onde mais tarde apareceram os meus dois primos que se juntaram à conversa. O convívio ia animado, tudo a falar ao mesmo tempo de forma ruidosa e confusa, como é hábito nesta família de gente maluca. Até que de repente, a algazarra foi interrompida pelo meu pai que, estando sentado de frente para a irmã, reparou que ela não se mexia há algum tempo.
"Estás a sentir-te bem?" - não obteve resposta. Foi então que olhei para a minha tia e fiquei aterrorizada. De olhos abertos, parados e vidrados no infinito, cabeça ligeiramente tombada para a frente, ela não tinha qualquer reacção. Começámos a abaná-la mas o corpo não respondia, a expressão não se alterava, olhos vidrados no infinito. Não respirava, parecia estar morta.
O meu pai saltou imediatamente da cadeira e começou a manobra de reanimação, respiração boca a boca (uma força capaz de encher um pneu), 1,2,3...nada.
Os meus primos entraram em pânico, um pânico bloqueador entre choro e gritos, "Ai a minha mãe morreu, a minha mãe está morta", às voltas pelo pátio de mãos na cabeça, pareciam ter perdido a capacidade de raciocínio e de acção.
Tentando manter a frieza de espírito, que não sei onde fui buscar, peguei no telemóvel para chamar o INEM. Responder de forma calma e correcta à meia dúzia de perguntas que me fizeram mas que naquele momento me pareciam intermináveis, não foi tarefa fácil.
Dois minutos. O meu pai continuava ainda sem sucesso, a manobra de reanimação. Respiração boca a boca, 1, 2, 3, nada. Três minutos....quatro minutos...Há quanto tempo já estaria assim? Ele não desistia. Mais ar, 1, 2, 3....foi então que ouvimos um inspirar profundo, um "ai" sumido e arrastado.
"Ela está a reagir!", gritava-se. Respirou-se de alívio.
Aos poucos, até a ambulância chegar, ela foi estabilizando e os ânimos foram acalmando. Operada ao coração há cerca de dois anos, tinha tido uma paragem cardiorrespiratória.

Foi então já no carro, a caminho do hospital, que comecei a pensar em tudo aquilo e no rol de "ses" que me assaltaram. E se o meu pai não estivesse ali? E se nós não estivéssemos lá, se o meu pai não tivesse insistido à porta, teria ela morrido durante o sono? Pior, e se tivesse sido com o meu pai, o que é que eu faria? De cinco irmãos, dois faleceram de ataque cardíaco, o meu pai foi o último a ser operado, impossível não pensar nisso nem que seja como mera hipótese...olhei para ele. Ia a conduzir, certamente preocupado mas sereno, com aquela expressão impenetrável que o caracteriza.
Nunca vi o meu pai chorar. Nunca vi o meu pai não saber o que fazer, impressionante, sabe sempre. Resolve sempre, com a lucidez e o sentido prático que ninguém consegue manter. Tem aquela força que poucos têm...caramba, queria ser como ele.
No meio do silêncio, desabafei "Julguei que a tia estivesse morta".
"É um erro pensar isso. Nunca se desiste de uma pessoa por pensar que está morta. Tenta-se sempre, o tempo que for preciso, sem desistir até mesmo ao fim". Tem razão. Foi o que o meu pai fez, não desistiu quando todos tinham desistido, e graças a isso, hoje a minha tia está viva.

sábado, 18 de julho de 2015

Super Bock Super Treta


Chegada do SBSR, tenho a dizer que nunca vi uma organização tão má, tão fraudulenta.
De repente, lembrei-me porque é que há anos já não punha os pés num festival. Já fui a alguns, mas os últimos foram em 2008, Rock in Rio e Optimus Alive, dos quais guardo episódios épicos, por boas e más razões
Desde então, confesso, houve cartazes que me seduziram bastante, como o NOS Alive do ano passado, mas por falta de oportunidade não fui.
Este ano lá se proporcionou, "ah e tal vão os Blur, vai ser espectacular, vem!", e eu fui. Depois de um dia de trabalho, porque não largar os saltos, pôr os ténis e ir curtir?
A noite começou bem, um grupo de amigos porreiro, cheio de energia que se revezou por vários palcos. Ora íamos para lá, ora voltávamos para cá, encontrámos muita gente conhecida, aconteceu-me também uma situação muito engraçada que me pôs um sorriso na cara.
Estava tudo a correr bem, o espírito em altas, a noite prometia boa disposição quando o improvável aconteceu.
Ora bem:
Deixámos os casacos e outros pertences no bengaleiro, à entrada, por sugestão do segurança.
Quando já estávamos posicionados à frente do palco, a 15 minutos de começar o concerto mais esperado, devido a um imprevisto, a minha cunhada teve de se ausentar e ir buscar o casaco.
A demora estava a ser grande, já estávamos a estranhar, e o meu irmão decidiu ir ver o que se passava.
Eis que descobre que, depois de ter o casaco, a minha cunhada tentou entrar e, surpresa!, já não pôde. Não autorizaram. "Porquê?", perguntou ela. "Porque eu preciso de autorizar e eu não autorizo", respondeu o brutamontes do segurança.
Note-se que o bengaleiro fica ainda dentro do recinto, mas fora de uma das três barreiras de protecção. Um observador normal, tal como as coisas estão dispostas, nunca perceberá que o balcão fica, teoricamente, "fora".
Depois de argumentos patéticos de autoridade, ela desistiu de entrar - estando, repito, ainda dentro das três barreiras de protecção, que separam o recinto do exterior.
O meu irmão disse ao segurança que precisava falar com a mulher, que se encontrava do outro lado da grade, a dois metros de distância, com um armário à frente.
Quando quis regressar...O quê, regressar? Andar dois metros para trás? Não pode.
E não pôde mesmo.
Depois de muitas trocas de argumentos, de alguns ânimos exaltados e de o meu irmão exigir o livro de reclamações (que não queriam dar), a polícia foi chamada e gerou-se todo um teatro patético. Sorte isto não ter sido em Guimarães...digo eu.
Entretanto cheguei. Falei calmamente com o palhaço de colete amarelo, mas conversar com neurónio e meio nunca levou ninguém muito longe.
"A minha cunhada tem o meu ticket do bengaleiro, preciso de o ir buscar.", disse eu finalmente, olhando para ela, do outro lado, a 5 metros de distância. "Não pode". Não o quê? Eu paguei e estou prisioneira cá dentro? Ridículo, o cúmulo da ignorância gritante. O regozijo do pequeno poder(zinho) de quem até poderá levar carolos da mulher em casa, mas na rua é um valentão.
Resultado: duas pessoas que pagaram 50 euros cada uma, não puderam assistir ao concerto que ansiaram ver por pura incompetência, má fé e intransigência acéfala da organização e daqueles que para ela trabalham.
Uma pessoa é incentivada a deixar os seus pertences num sitio, à entrada - casacos, malas, carteiras, etc -  sem que haja o bom senso e a boa fé de avisar "olhe que só pode levantar quando sair", e se precisar deles não pode regressar para usufruir daquilo que pagou??
É criminoso.
Voltei para ver o concerto, que já não me soube bem. Por mim, ter-me-ia borrifado naquilo tudo e ido embora, mas havia um grupo de amigos que merecia aproveitar a noite sem mais aborrecimentos.
A reclamação, essa, ficou devidamente registada em sede própria.
Super Bock Super Rock? Nunca mais.
Nojo.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Dadores de tempo

No domingo, contrariamente ao que acontecia há alguns anos, não consegui ficar na cama até tarde (ser crescido tem destas coisas: durante a semana maldizemos o despertador e a vida, ansiamos todos os dias pelo fim de semana e depois, quando podemos ficar na ronha, acordamos ainda mais cedo, toma lá!).
Decidi levantar-me e ir tomar calmamente o pequeno almoço à esplanada por baixo da minha casa.
Enquanto apreciava este raro grande prazer que é apanhar o sol da manhã, reparei no letreiro colocado à porta da igreja, logo ali ao lado. Lembrei-me de repente do email que tinha recebido na sexta-feira com um apelo e que, com a pressa egoísta dos afazeres “prioritários”, não tinha lido convenientemente.
Estava a decorrer uma recolha de amostras de sangue para encontrar dador de medula óssea compatível com uma pessoa que aqui trabalha e que necessita urgentemente de um transplante.

Tenho absoluto pavor de agulhas. Sou daquelas mariquinhas que diz que vai desmaiar, que não pode olhar e que até aos 21 anos levava sempre alguém às análises para segurar a mão. Já depois dos 25 ainda levei companhia para a sessão de "ais" da vacina do tétano...verdadeiramente irracional e embaraçoso.
Sem pensar muito, tentando ignorar a minha cagarolice, entrei na igreja e dirigi-me à sala onde estavam a fazer a recolha. Só então me apercebi que, apesar de viver ali há mais de 20 anos, os únicos motivos “nobres” que me fizeram entrar naquela igreja foram para cantar no coro - no qual só entrei porque era apaixonada por um rapazinho que lá estava, ah!, a nobreza do Amor – e para ir a uma missa do galo com uma amiga que insistiu muito comigo.
Ali estava eu. A sala estava praticamente vazia, apenas duas pessoas sentadas, o que achei triste.

"É para quê?", perguntaram. Afinal, a recolha tinha mais finalidades. "É para medula óssea", respondi apressadamente ao lembrar-me das "litradas" de sangue que sacam a quem ali se deita.
Seguiu-se o preenchimento dos papéis e depois a consulta médica. Quando entrei naquele gabinete, confesso que ainda não tinha amadurecido a ideia  e que não sabia nada sobre os procedimentos propriamente ditos, para além daquilo que é do conhecimento geral.
Com muita paciência e de forma extremamente pormenorizada, foi-me explicado que existe dois métodos de colheita de células para transplantação de medula: uma em que as células são colhidas do interior dos ossos da bacia, através de uma intervenção cirúrgica que exige 24 horas de internamento; e outra, para alguns casos, em que a colheita é feita no sangue periférico a partir de uma veia do braço, exigindo algum tempo de preparação medicamentosa.
Sem eu notar, a minha expressão facial devia ir mudando ao sabor das dúvidas pelo que, a dado momento, a médica sentiu a necessidade de parar e de me tranquilizar: "Claro que pode sempre arrepender-se e retirar o consentimento, mesmo depois de se encontrar um doente com quem seja compatível! Mas aí..." - "Aí eu jamais diria que não.", respondi.

Foi nesse momento que me apercebi do ridículo e da pequenez dos meus medos.
Medo de quê, de agulhas? O que é o medo de agulhas perto do medo de perder a vida, de não ter tempo para viver tudo o que ainda não se viveu?
A probabilidade de se encontrar um dador compatível, no mundo inteiro, é reduzidíssima. Quem se propõe a ser dador de medula óssea, não pode ignorar o tamanho da responsabilidade que tem em mãos. Que género de carácter teria a coragem e a hipocrisia de dar esperança a alguém e, em seguida, roubá-la com um fútil "não"?
Se eu não tinha essa consciência, ganhei-a ali, naquele momento. Não sei o que me levou àquela igreja, não sei se aquilo que me fez mexer foi puro altruísmo ou o egoísmo de me querer sentir bem. Mas que interessa?
Interessa fazer.
Perdemos demasiado tempo a tentar ser a diferença na vida de quem não quer que façamos parte dela, mas mesmo assim preocupamo-nos, lamentamos demasiado aquilo que simplesmente não depende de nós. Choramos e massacramo-nos pelo trabalho chato, pelos sonhos (ainda) não alcançados, pelas pessoas e as oportunidades que deixamos escapar entre os dedos...mas temos a vida toda para superar, mudar e encontrar o que nos faz feliz.
Enquanto isso, ao nosso lado ou em qualquer parte do mundo, existe alguém à espera apenas da oportunidade de ter tempo para fazer esse caminho. E é exactamente aí que quero poder fazer a diferença. Sem dúvida.

Sentei-me na cadeira, estendi o braço e virei a cara. Afinal, não doeu nada.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Vai para a iogurteira que te pariu!

O problema de trazer um iogurtezinho para “manter a linha”:
1º - Passo horas a medir qual a melhor hora para come-lo, e “aguentar sem fome até ao jantar”;
2º - Aguento sem fome 1 minuto e meio, aquele que demorei a comer o iogurte;
3º - Desvairada, vou ao bar comprar um croissant com chocolate;
4º - Compro também um chocolate ,“já que é para a desgraça, é para a desgraça”;
5º - No fim, feitas as contas, comi um iogurte e apanhei uma overdose de chocolate.
Iogurtes Zero...zero gorduras, zero açúcares, zero à esquerda. São tão zero que nem os sinto no estômago.
Trazer iogurtes para o trabalho nunca pode ser bom. Sai caro e apenas serve para manter uma única linha: a curva.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Jovens mas com limites

Em conversa com uma amiga pré-histórica (não é ela, claro, a amizade):
Ela: Há tanto tempo que não fazemos férias todas juntas, tem de ser este ano!
Eu: Acho que nunca conseguimos passar todas juntas, faltou sempre uma.
Ela: Tens razão. Temos de fazer uma coisa que lembre os velhos tempos, quando éramos novas.
Eu: Sim! Tipo o quê?
Ela: Vamos acampar!
Eu: Esquece.
Ela: Não queres ser jovem?
Eu: Já não.

Já acampei muito. Gostava e foram momentos muito bons.
Mas é certo que a minha má relação com os insectos, especialmente aranhas, nunca teve idade. E as minhas costas já não perdoam a falta de um colchão.
Vamos ser sinceros: eu não estou madura, eu já estou podre!

terça-feira, 14 de julho de 2015

O dia em que perdi a compostura

Por aqui temos toda a espécie de animais que, amiúde, espalham o terror: milhões de mosquitos, lagartixas, ratazanas e ratinhos pequenos, baratas e pessoas.
Tirando as baratas, consigo bem lidar com todos os outros. Quer dizer, “bem” depende dos dias, que há coisas em que eu sou imprevisível. Aquela piada de que “os ursos polares gostam de frio, os bipolares uns dias gostam, noutros não” cai-me que nem uma luva, confesso.
Adiante. Ontem foi o dia da barata, esses seres capazes de me levarem aos actos mais primários de histerismo.
Reunião com 20 pessoas. Tudo a fingir um ar sério, mega profissional e coiso.
Depois de pousar os mil papéis que trazia, de óculos na ponta do nariz, puxo a cadeira e sento-me. Não aqueci o lugar nem dois minutos. Cai do tecto, mesmo à minha frente em cima da mesa, uma barata gigante, castanha e nojenta.
Caiu a barata, e caiu todo um ar sério e compenetrado de não-brinquem-comigo-eu-percebo-bué-disto (não é verdade, mas o ar é convincente). Eu e a minha colega do lado saltámos imediatamente das cadeiras e, entre gritos e movimentos irreflectidos de sacudir o cabelo, a roupa e os braços, fugimos para o lado oposto da sala, perante o olhar estupefacto de toda uma plateia divertida.
Uma barata! Não me sento aí, não consigo! Mate-a! Não, não mate! Tire-a! Ai, não consigo ver.
A dita foi eficazmente esborrachada por um homem. Não, Homem, com “H” grande que, para mim, quem me salva de uma barata, é e merece tudo de bom na vida. Senta-se. A missão teria terminado em bem, se não houvesse duas mulheres irracionais, num canto da sala, a dizer “Ela fica aí? Ai que nojo, ai não consigo. Tire-a, por favor!”
E ele lá se levantou novamente para, com uma folha e a paciência toda do mundo, remover o cadáver do local do homicídio.
Com os ânimos acalmados e entre risinhos parvos de quem toma consciência do ridículo, “Pedimos desculpa, é que foi do tecto…não sei…foi a surpresa…desculpem”, voltámos ao nosso lugar.
De queixo no ar, desconfiadas, a certificarmo-nos de que não pairava ali mais nenhuma ouvimos ainda, vinda lá do fundo da mesa, uma voz a dizer:
“Valeu a pena. O que eu gosto de ouvir mulheres a gritar.”

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Os empata f....fins de semana, claro

Um daqueles fins de semana em que todos saíram. Estou sozinha (ok, o cão não conta), é hora de saborear o raro prazer de não ter condicionantes.
Decido, conscientemente, não marcar nada para domingo. Nem saídas, nem praia, nem esplanadas, nem jantares, nada - ficar só e apenas a gozar o meu silêncio, a minha paz, a minha música.
Passeio-me nua pela casa, ah que liberdade, ah que gostinho, ah que frescura, toda uma harmonia....campainha toca. Fujo a ir buscar o roupão. É o meu irmão e a minha cunhada.
Viemos fazer-te companhia para o jantar.
Mas, mas, eu nem ia jantar!!!
E eis que um plano perfeito de 24 horas de sala vazia, eis que todo um paraíso doméstico de cozinha limpa, televisão desligada, música alta e mamas ao léu se desmorona em dois segundos.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Cinquenta sombras, sei lá, uma catrefada de sombras

Bondage Psicológico.
A minha cabeça tem tido hoje este fetiche: adora obter prazer ao amarrar-me a pensamentos que infligem dor. Chama-se Saudade, essa rameira.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Ganhar vergonha na cara

A falta de competência e a falta de rigor no trabalho são das coisas que mais me cegam, que mais me levam aos píncaros da intolerância.
Tentarem trapacear-me com argumentos ridículos, vazios de coerência e exequibilidade, ao mesmo tempo que fazem aquela cara de "ela nem vai notar que estou a papa-la por parva", é coisinha para me tirar do sério. Mas mantenho a calma. A possível.
Deixar-me estar num sítio de tanta gente incapaz e não sair disto, deixa de ser motivo para me envergonhar deles, e passa a ser um motivo para me envergonhar de mim.
E como não sei nem quero viver assim, está na hora de mudar.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

As colegas adoram partilhar intimidades comigo

Trabalhar numa sala com paredes de pladur é ter o prazer de ouvir uma colega a dar um pum, como se estivesse sentada ao meu lado.
Acabou de acontecer e agradeço a Deus de o pladur não ser à prova de som, mas pelo menos ser à prova de cheiros...

domingo, 5 de julho de 2015

Preciso de apanhar ARRRR

Foi o que gritei ontem.
Os amigos ninja pegaram em mim e levaram-me a um sítio, tão próximo, mas tão distante há muitos anos.
Cortei relações com Tróia há mais de 4 anos. As recordações de tempos bons e felizes que não voltam, os preços exorbitantes dos bilhetes dos barcos, a desvirginação daquelas areias tão minhas, tão nossas, pelos turistas e pelo espírito capitalista...tudo isso fez-me querer afastar dos meus hábitos, dos meus prazeres e das minhas lembranças.
Este fim de semana decidi que chega. Decidi que estava na altura de fazer as pazes com as recordações, que há muito deixaram de incomodar, e de aceitar as mudanças.
Está na altura de construir novas recordações com as pessoas de sempre, as minhas pessoas.

Foi um fim de semana bom, feito de conversas cruzadas, piadas cúmplices, brincadeiras com a bola, patuscadas nas tascas...
Cheguei a casa já tarde, com pena do fim, mas com um sorriso na cara.
Tinha saudades de Tróia. Mas tinha ainda mais saudades minhas.

À chegada:

À partida:

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Português e ouvidos "avareiados"

Porque é que as pessoas têm de falar ao telemóvel a gritar? Estou no café e acabei de ouvir o senhor que está 5 mesas à frente a dizer "essas coisas vareiam muito".
Só os decibéis é que não "vareiam"...

segunda-feira, 29 de junho de 2015

O meu corpo confunde-me quando...

...tenho uma quebra de tensão a meio da tarde, numa altura em que a minha tensão por aqui está em níveis próximos da explosão.
Depois de muitos abanicos de folha, de muitos "Sente-se lá aqui", "Não, aqui, aqui é melhor", "Baixe a cabeça/ levante a cabeça/ não, não, deite a cabeça para trás", "Beba um café/ uma água fresca/ coma um bolo/ coma um chocolate" ...Estou melhor.

Vazio que pesa

Os meus pensamentos fazem eco dentro de mim. Sinto-me vazia.
Fiz o que achei ser o certo, mas não é por isso que dói menos. Por mais que tente, neste momento, encontrar o conforto da Razão, o ânimo do Futuro, acabo invariavelmente por esbarrar no grande muro do sentimento de fracasso.
Por mais que procure encontrar o conforto emocional de que "tentámos", concluo apenas que tentámos tentar...e isso foi muito pouco para sermos felizes, ainda que tenhamos tido momentos de felicidade. Eu tive.
Mas "ter" e "ser" são diferentes e nós merecemos mais...tão mais.
Se calhar nenhum de nós podia ter feito diferente, ou melhor. Sei que um dia faremos, mas hoje, preciso de chorar a tristeza de que é muito provável que não conseguiremos isso juntos.

Já sinto saudades daquele abraço...

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Princípios básicos

"O primeiro dever da inteligência é desconfiar dela mesma"
Cumpro-o todos os dias, quando acho que estou a perceber tudo o que estou a ler.
Se parece fácil, é porque é capaz de não ser bem assim...

terça-feira, 23 de junho de 2015

Prazeres

O único dia do ano em que eu vou ao multibanco, coloco o pequeno cartão na máquina, fecho os olhos e sorrio, pensando que bem podia habituar-me a isto facilmente...
Benvindo, subsídio de férias, que me relembras todos os anos que encaixar 9 centímetros pode ser sinónimo de puro prazer.
Há um ano cruzámo-nos.
Continuas aqui. Mas só queria ter-te de volta...

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Sem minuto de descanso

O único momento de prazer da tarde arruinado por um mega cabelo branco, enfiado dentro do pão com chouriço que eu, especificamente, tinha saído para comprar.

Prazer seguido de nojo. A mesma tendência masoquista que me faz ver filmes de terror até ao fim ou ler coisas que me irritam, levou-me a ter de puxar o dito cujo, só para comprovar os 10 centímetros de badalhoquice.
Em seguida, arrepio, lixo.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Interpretando sonhos

Em conversa no Whatsapp:
Eu – Bem, hoje sonhei uma coisa super estúpida. Sonhei que me tinha casado com um tipo, e que tínhamos combinado que ele fingia morrer para eu ficar com dinheiro do seguro. Ridículo.
I – Isso quer dizer que queres casar!
Eu – Acho que quer dizer que preciso de dinheiro…só não era necessário casar nem matar ninguém.
H - Eu sonhei com a tesão.
H - *tese
I – O corrector ortográfico lê-te os desejos, mas não as preocupações.
H – Não vejo a hora de me livrar disto.
L - Sonhei que estava num gangbang com aqueles meus amigos gregos, lembram-se deles?Acho que estou preocupada com a Grécia.
(…)
Destas conversas nunca sai nada de útil, já se sabe.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Estar badalhoca de tão limpinha

Parece uma contradição, mas não é. Aconteceu-me hoje.
Isto de uma pessoa acordar e andar à pressa para ver se não chega tarde ao trabalho conduz-nos a alguns excessos, que não apenas os de velocidade ao volante.
Depois de vestida e toda arrumadinha, a brutalidade imprimida na escovagem dos dentes fez com que, inadvertidamente, saltasse pasta de dentes por todo o lado, a qual se alojou em sítios escondidos que tenho vindo a descobrir ao longo do dia, nas situações mais embaraçosas:

1º - Reunião de manhã com a chefe - "Que é isso branco que tem no ombro?"
2º - Enquanto tiro umas fotocópias, reparo "Eish, até tenho pasta no pulso...!"
3º - Enquanto falo com uma colega: "Ai, espere lá, deixe-me tirar, tem aqui uma pintinha branca ao pé do olho..."

Fui a correr à casa de banho, inspecionei tudo, limpei os vestígios do desastre e voltei às lides, segura de mim.
Agora, enquanto mexia no cabelo, acabei de dar com uma madeixa colada com pasta de dentes. Socorro, que é isto, o que é que eu fiz, parece uma praga!
Por este andar, até tenho pânico de tirar as calças...eu sei lá o que vou encontrar onde a luz não toca, mas a pasta de dentes não perdoa...
Já espero tudo.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Sinto-me excêntrica

O que vou fazer com os 100.000.000 de euros que vou ganhar no Euromilhões, com os 2 euros que joguei, estão a tirar-me a concentração e a produtividade.

#fé
#nãoprecisodetrabalharvouserrica

O amor acontece sem esforço...



















...quando existe.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Esqueci-me de assinalar que hoje foi o...

Terceiro Bom dia :)

Estou cá desconfiada que em breve há de haver um dia que não vai ser bom. E não é para mim.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Estou verde

Geralmente vejo o pessoal a fazer gracinhas com o entrar no elevador e o vizinho, que acabou de sair, deixar atrás de si todo um ambiente perfumado com o histórico do almoço de Cozido à Portuguesa.
Mas...e entrar no elevador com o chão cheio de cocó de cão pisado? Hum?

Melhor ainda.
Tudo o que eu vinha a fantasiar no caminho, para abrir o apetite do jantar.

E se deixasses de ser parva?

Eu nunca aprendo.
Mesmo os que me conhecem (não falo dos que não me conhecem porque esses, enfim, nunca sabem do que falam) adoram desenrolar teorias sobre eu ser, para os outros, uma pessoa fria, distante, insensível e essas coisas todas que constroem um "boneco" com o qual se brinca, mas que não corresponde à realidade. Ou, pelo menos, não totalmente.
É verdade que crio uma barreira entre mim e os outros, de forma a não dar muita confiança, sem com isso - julgo eu, ou tento - deixar de ser agradável, comunicativa e educada. Mas depois, quando falamos de coisas sérias, pimbas, lá estou eu caída, sem conseguir ser indiferente.
Como já tive oportunidade de escrever, há uns dias fui contactada por mensagem por alguém que dizia não estar bem.
Não obstante não saber quem é essa pessoa, não consegui ignorar e respondi, tentando dar uma palavra amiga vinda de quem não é, sequer, conhecida.
Tal não foi bastante para me tranquilizar. No dia seguinte consumi-me com aquilo, pensei como estaria a pessoa, "Será que contacto? Será que não?".
Contactei.
Cheia de cautelas no sentido de não demonstrar se era homem ou mulher (nunca se sabe, há malucos para tudo e eu há uns anos já tive a minha dose), lá perguntei se estava melhor, mais animado.
Respondeu que não, falou um pouco mais da sua situação (em grande parte, tinha a ver com a falta de trabalho e as poucas perspectivas que tem) e eu, mais uma vez, respondi a tranquilizar e a deixar algumas alternativas possíveis, caso ele ainda não as tivesse equacionado.
Tive vontade de acrescentar que, se começasse a escrever melhor, talvez aumentasse as hipóteses de sucesso. Não tive coragem (olha a boazinha!). É que aquele discurso confuso, cheio de erros ortográficos, era o espelho do caos daquela cabeça, do desespero, e isso não pode levar ninguém a bom porto...
Espantou-me saber que tem mais um ano que eu, dois cursos superiores e que deu aulas durante 3 anos em Lisboa. Deu aulas, senhores....com aqueles erros! Medo.
Já estava mais tranquila, com sentimento de que tinha feito tudo ao meu alcance quando ele começa a querer saber de mim. Que falasse de mim, o que fazia, o meu nome...Mau. Travão. Amiguinha, mas não tanto.
Respondi que queria manter a discrição e que, por mim, acho que não tinha mais como ajudar.
- Claro, entendo, peco dcp.
Na manhã seguinte, Bom dia.
Não obteve resposta.
Hoje, Bom dia :)
Oh c'um c.....agora já começa a ser inconveniente - pensei. Em alternativa ao ficar calada e ser, eventualmente, entupida de "bons dias" até o fim do mês, respondi a dizer que não via o propósito daquilo e que, para mim, o diálogo estava encerrado. Desejei sorte e terminei com "cumprimentos".
- Concerteza (Ouch. Espetadela final com a farpa ortográfica).
Espero que tenha sido o último contacto. Já não sei se é solidão, desespero ou truque, mas uma pessoa dá um dedo e querem logo o braço todo. O melhor mesmo é agarrar-me agora ao meu "boneco" e deixar de ser parva.

terça-feira, 2 de junho de 2015

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Desespero

Ontem, de madrugada, recebi uma mensagem de um número desconhecido.
Era alguém que, depois de me fazer um relato enorme sobre o caos em que vive, dizia estar em desespero e que sentia o tempo a acabar...Fiquei alarmada, intrigada. Primeiro porque podia ser alguém que eu conhecesse, mas não sabia quem era (mudei de telemóvel, poderei ter perdido números), depois porque não sabia como ajudar face a tamanho desalento.
Perguntei quem era.
Respondeu que que era alguém que não me conhecia e que eu não conhecia. Que havia mandado uma mensagem para um número ao calhas, pois precisava de desabafar com alguém.
Respondi, tentando dar força e uma perspetiva mais positiva da vida...olha quem!
Agradeceu e desejou-me felicidades.
Foi uma situação estranha. Não sei se ajudei pois todas as palavras parecem um pouco vazias em situações destas. Mas perturbou-me. O que se passou é um espelho da situação caótica e desmoralizada em que este país se encontra e do quão sozinhas muitas pessoas se sentem, ao ponto de recorrerem à sorte de um desconhecido lhes poder responder. Se calhar a única sorte que sentem que lhes resta.
Dou comigo a pensar como estará. Espero que melhor.

domingo, 31 de maio de 2015

Morena

Esta morena não sabe
O que o dia tem para lhe dar
Diz-me que tem namorado
mas sem paixão no olhar
Tem um risinho pequeno
E que só dá de favor
Corpo com sede de quente
Mas que não sente o calor (...)

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Dúvidas existênciais esclarecidas pelo meu pai


Isto faz-me lembrar a pergunta que fiz ao meu pai, quando era pequena - se vista da lua, a Terra estaria "Terra nova, crescente, cheia ou minguante?".
Respondeu-me que não sabia, pois da última vez que lá tinha estado era de dia.

Não se faz isto às crianças curiosas.

Auto-estima



Uma mulher acorda toda confiançuda, a querer enfrentar o mundo, a pensar "Hoje é que é, eu sou capaz!" e quando abre o computador e lê as notícias, pronto, cai tudo por terra. Sou logo esmagada pela grandeza das capacidades alheias...e não estou a falar das de liderança.
Engolir peixes assim, com esta competência, só mesmo para alguns.
Vou ter de passar o resto do dia a aprender a lidar com isto.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

O meu sexto sentido é melhor que um cão perdigueiro

Quando o meu sexto sentido me diz, em voz bem alta, que há algo que não está a bater nada certo...antes de saber a razão, já eu tenho a certeza que é verdade.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

E espreme, e espreme...

Espremer um assunto sério até à exaustão é fazer render o peixe, com notícias-de-caca-aos-bocadinhos-todos-os-dias:
- Subcomissário pensa que é o Rambo;
- Subcomissário sempre quis ser o Hulk e por isso é um frustrado;
- Subcomissário sempre foi durão;
- Subcomissário usou dois bastões;
- Subcomissário acha que, de facto, exagerou um bocadinho;
- Subcomissário come Cerelac ao pequeno almoço e por isso tem muita força;
- Metade da população de Guimarães vem dizer que, certa vez, já foi sovada pelo Subcomissário. (...)
Deixem a Justiça funcionar e já chega, noticie-se apenas o essencial.
É que muitas são, simplesmente, não-notícias que só servem para alimentar as opiniões inflamadas de muita gente acéfala. Cansa.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Segundo vários estudos, sou perfeita

Nas redes sociais as pessoas cultivam o hábito de partilharem os "estudos" que mais lhes convêm - geralmente para enaltecer que aquele defeito, que toda a gente sempre apontou como sendo péssimo é, afinal, uma virtude que os distingue dos demais.
Ainda há coisa de um mês, por exemplo, a minha página foi invadida pela notícia desta descoberta magnífica: quem não gosta de ouvir a mastigação alheia, é mais inteligente. Logo em seguida, saiu um estudo que conclui que as pessoas com rabo grande também são mais inteligentes (embora eu ache sempre um pouco perigoso querer associar o cérebro ao cú, mas enfim).
Adiante. Foi assim que metade do Facebook descobriu que é um génio, só e apenas porque detesta ouvir os outros mastigarem - o que, logo ali, salvou da escuridão eterna muitos QI abaixo de 20. Esperem até descobrirem que são os novos Einsteins só porque odeiam flatulência alheia.
Ah! Mas eu ainda sou melhor, porque segundo os últimos os estudos que li:
- Sou um génio porque odeio os barulhos da mastigação (sim, eu também!);
- Sou mais inteligente porque durmo pouco;
- Sou mais inteligente porque tenho mau feitio;...
- Sou mais inteligente porque ando sempre preocupada e stressadinha (adorei este estudo);
- Sou mais inteligente porque me deito tarde;
- Sou a mais bonita porque sou a irmã mais nova;
- Vou viver mais que os outros porque tenho mau feitio;
- Tenho mais orgasmos porque sou baixinha;
- Sou bem capaz de viver para além dos 95 anos porque não vou ter filhos até os 33;
(...)
Meu Deus. Só agora é que reparei. Ando perto da perfeição!
Bem, se fosse um pouco mais baixinha, se calhar era ainda mais feliz....

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Olá Primavera

Podia dizer que tenho predilecção por postes.
Mas agora, poucos minutos depois de ter levado com um gafanhoto pela testa, digo que não.
Em plena Primavera, bom mesmo é levar assim com a Natureza pelas ventas.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Conselhos do meu pai

 
 
Há uns tempos trouxe trabalho para casa.
Ao invés de me sentar, pus em prática a arte de procrastinar e fui fazer arrumações ao armário (só em situações destas me dão tais "vontades").
Ironia do destino, encontrei um bilhete escrito pelo meu pai, em Setembro de 2005, aquando de um feliz e meloso começo de namoro.
O meu pai, como bom advogado que é, deixara-me este bilhete em cima de um livro - ainda em branco, bem estudado, portanto - que eu havia deixado aberto em cima da secretária. Não me ligou, não tentou saber onde estava, não falou comigo. Fez um requerimento.
Atente-se na bela da folhinha timbrada do escritório, para conferir mais solenidade à coisa.

Quem conhece o meu pai, sabe que ele impõe respeito.O meio utilizado, o tom de raspanete... estremeci no momento (efeitos da culpa de ter chegado às tantas da manhã e ter um exame nessa semana), mas nem por isso segui o conselho. Tirei 14, ainda me lembro.
Dez anos mais tarde, dou de caras com isto outra vez. Mudei bastante, pese embora por vezes ainda sinta a necessidade de me furtar a responsabilidades.
Dez anos mais tarde, os conselhos do meu pai continuam a fazer todo o sentido. Não apenas para o trabalho, mas para a Vida:
 
Não deixes espaço para desculpas do azar.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Dia do Sorriso

Descobri que hoje é o Dia do Sorriso.
Sinto-me como se tivessem acabado de me avisar que tenho teste de Matemática daqui a uma hora e eu não estudei a ponta de um corno.
Já me lixaram, ando uma baldas nessa matéria de mostrar os dentes.

Das figuras parvas que faço

O que vale é que trabalho numa sala sozinha. Ninguém vê.
Muitas vezes envolve episódios com o meu telemóvel (como enviar emails para mim mesma, no segundo depois, ouvir o telemóvel tocar porque recebeu um email e eu levantar-me para ir ver) e hoje não foi excepção.
Vicissitudes de quem escolhe toques ridículos para as mensagens, como aquele que parece o piar de um pássaro. Ora, acabei de ouvir um piar. Ia jurar que era uma mensagem e levantei-me para ir ver.
Nada de mensagens. Zero. Mais parado que uma aldeia deserta, esquecida no Alentejo profundo.
A minha cara quando olhei para a janela e vi um pássaro pousado no parapeito deve ter sido deliciosamente...estúpida.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

É de pequenino que se torce o pepino

Entro no elevador do meu prédio. A minha vizinha e o filho de 9 anos vêm a correr para aproveitar a viagem.

Eu - Estás tão crescido, olha-me para esse pé!
Menino - A Senhora calça quanto? (Quando me chamam de Senhora, morro um bocadinho)
Eu - Menos que tu, vê lá. Calço 37....
Menino - Nota-se. Vê-se mesmo que tem pezinho de princesa.
*Eu derreto*
*A mãe derrete, baba-se de orgulho*
Mãe - Ó querido, és tão cavalheiro! Diz lá que a kikas é uma princesa, diz lá!
Menino - Isso não. Mas também, o que conta é a beleza interior, sempre ouvi dizer.
(...)


Podíamos ter ficado só pelo "pezinho"...mas é assim mesmo, uma no cravo outra na ferradura.
Este miúdo faz-se.

Perco a pouca paciência que tenho...

Quando as pessoas - sempre as mesmas - conhecendo os meus hábitos noctívagos, têm na sua rotina o gosto de, religiosamente, todos os dias, virem meter conversa no chat. Preferencialmente a partir da 1 da madrugada. Para falar sobre...nada.
- Oi
(fingir de morta)
- Oi
(eu não estou aqui)
Passada meia hora...
- Estás?
Ok, não há desistência. Não gosto de ser indelicada e respondo.
Segue-se um chorrilho de "sim", "não", "o que é que fizeste no fim de semana", "correu bem o dia", "lol", ":)", ":P"......Shoot me now!
Dizer que vou dormir ou que estou ocupada é inútil. Há sempre mais alguma coisa que se lembram de dizer (nomeadamente que já devia estar a dormir àquelas horas - poupem-me) até ao derradeiro "Estás a dormir?".
A vida é demasiado curta - bem como a paciência - para gastarmos com diálogos ocos, relatos em listagem, respostas monossilábicas, cedências pouco prazerosas, palavras vazias. Não gosto de perder tempo com o que não me interessa.

A partir da 1 da manhã, só há uma pessoa com quem eu quero conversar: eu mesma. E em silêncio.