Descobri que hoje é o Dia do Sorriso.
Sinto-me como se tivessem acabado de me avisar que tenho teste de Matemática daqui a uma hora e eu não estudei a ponta de um corno.
Já me lixaram, ando uma baldas nessa matéria de mostrar os dentes.
terça-feira, 28 de abril de 2015
Das figuras parvas que faço
O que vale é que trabalho numa sala sozinha. Ninguém vê.
Muitas vezes envolve episódios com o meu telemóvel (como enviar emails para mim mesma, no segundo depois, ouvir o telemóvel tocar porque recebeu um email e eu levantar-me para ir ver) e hoje não foi excepção.
Vicissitudes de quem escolhe toques ridículos para as mensagens, como aquele que parece o piar de um pássaro. Ora, acabei de ouvir um piar. Ia jurar que era uma mensagem e levantei-me para ir ver.
Nada de mensagens. Zero. Mais parado que uma aldeia deserta, esquecida no Alentejo profundo.
A minha cara quando olhei para a janela e vi um pássaro pousado no parapeito deve ter sido deliciosamente...estúpida.
Muitas vezes envolve episódios com o meu telemóvel (como enviar emails para mim mesma, no segundo depois, ouvir o telemóvel tocar porque recebeu um email e eu levantar-me para ir ver) e hoje não foi excepção.
Vicissitudes de quem escolhe toques ridículos para as mensagens, como aquele que parece o piar de um pássaro. Ora, acabei de ouvir um piar. Ia jurar que era uma mensagem e levantei-me para ir ver.
Nada de mensagens. Zero. Mais parado que uma aldeia deserta, esquecida no Alentejo profundo.
A minha cara quando olhei para a janela e vi um pássaro pousado no parapeito deve ter sido deliciosamente...estúpida.
segunda-feira, 27 de abril de 2015
É de pequenino que se torce o pepino
Entro no elevador do meu prédio. A minha vizinha e o filho de 9 anos vêm a correr para aproveitar a viagem.
Eu - Estás tão crescido, olha-me para esse pé!
Menino - A Senhora calça quanto? (Quando me chamam de Senhora, morro um bocadinho)
Eu - Menos que tu, vê lá. Calço 37....
Menino - Nota-se. Vê-se mesmo que tem pezinho de princesa.
*Eu derreto*
*A mãe derrete, baba-se de orgulho*
Mãe - Ó querido, és tão cavalheiro! Diz lá que a kikas é uma princesa, diz lá!
Menino - Isso não. Mas também, o que conta é a beleza interior, sempre ouvi dizer.
(...)
Podíamos ter ficado só pelo "pezinho"...mas é assim mesmo, uma no cravo outra na ferradura.
Eu - Estás tão crescido, olha-me para esse pé!
Menino - A Senhora calça quanto? (Quando me chamam de Senhora, morro um bocadinho)
Eu - Menos que tu, vê lá. Calço 37....
Menino - Nota-se. Vê-se mesmo que tem pezinho de princesa.
*Eu derreto*
*A mãe derrete, baba-se de orgulho*
Mãe - Ó querido, és tão cavalheiro! Diz lá que a kikas é uma princesa, diz lá!
Menino - Isso não. Mas também, o que conta é a beleza interior, sempre ouvi dizer.
(...)
Podíamos ter ficado só pelo "pezinho"...mas é assim mesmo, uma no cravo outra na ferradura.
Este miúdo faz-se.
Perco a pouca paciência que tenho...
Quando as pessoas - sempre as mesmas - conhecendo os meus hábitos noctívagos, têm na sua rotina o gosto de, religiosamente, todos os dias, virem meter conversa no chat. Preferencialmente a partir da 1 da madrugada. Para falar sobre...nada.
- Oi
(fingir de morta)
- Oi
(eu não estou aqui)
Passada meia hora...
- Estás?
Ok, não há desistência. Não gosto de ser indelicada e respondo.
Ok, não há desistência. Não gosto de ser indelicada e respondo.
Segue-se um chorrilho de "sim", "não", "o que é que fizeste no fim de semana", "correu bem o dia", "lol", ":)", ":P"......Shoot me now!
Dizer que vou dormir ou que estou ocupada é inútil. Há sempre mais alguma coisa que se lembram de dizer (nomeadamente que já devia estar a dormir àquelas horas - poupem-me) até ao derradeiro "Estás a dormir?".
Dizer que vou dormir ou que estou ocupada é inútil. Há sempre mais alguma coisa que se lembram de dizer (nomeadamente que já devia estar a dormir àquelas horas - poupem-me) até ao derradeiro "Estás a dormir?".
A vida é demasiado curta - bem como a paciência - para gastarmos com diálogos ocos, relatos em listagem, respostas monossilábicas, cedências pouco prazerosas, palavras vazias. Não gosto de perder tempo com o que não me interessa.
A partir da 1 da manhã, só há uma pessoa com quem eu quero conversar: eu mesma. E em silêncio.
domingo, 26 de abril de 2015
Relação directa de vontades
Sempre que trago trabalho para casa dá-me uma vontade incontrolável de arrumar o armário. Ou as gavetas. Ou de lavar o carro. Ou fazer qualquer outra coisa que não seja o que "tem mesmo de ser".
sexta-feira, 24 de abril de 2015
Filme com classificação de 1 estrela
Dia estranho, o de hoje.
Ontem foi cheio de emoções fortes a todos os níveis, os astros uniram-se para abanar tudo num só dia - toma lá que é para testares o multitasking de emoções. Só faltava estar com TPM para ajudar à festa. E daí não sei, pois acho que sofro disso a tempo inteiro.
Qual multitasking, qual quê! Estou farta de dizer que sou uma mulher inapta para essas coisas, não gozo desses superpoderes. Só tenho dois braços, dois ouvidos, um cérebro e um coração e mesmo assim, de repente já conto 6 coisas diferentes, o que é muito bom!
Ontem levei com os abanos todos e hoje sinto-me calma, estranhamente calma. Apática.
Vejo tudo à volta a cair, mas sinto-me como se não estivesse também lá no meio. Como se apenas estivesse de fora, a assistir um filme de tragédia barato, ansiosa para que a parte das letras chegue e eu possa dizer "Granda merda de realizador, este".
Por aqui tudo se descabela. Uma chora, diz que se vai embora também. A outra também diz que não aguenta, que precisa de baixa médica. Outros, passeiam pelo corredor com sorrisos amarelos, conscientes do falso controle que têm sobre a situação. Eu lá vou dizendo "Tenham lá calma, não é o fim do mundo. Não aguenta? Claro que aguenta, ora essa [lembro-me sempre do outro "ai aguenta, aguenta"]. Tudo se faz."
Enfim, digo isto convicta de que é verdade. É certo que também tenho os meus momentos de descontrole, mas são só meus, só para mim. Trato de os controlar rapidamente e de não os passar para fora.
É o histerismo das pessoas que torna o caos mais caótico, ninguém pára para pensar e fazer bem. Enquanto gritam todos ao mesmo tempo, ninguém se ouve, ninguém faz. A imagem do desespero é o cartão de visita da descredibilização e da fraqueza. Ponto.
Enfim, para mim tudo isto é a constatação de uma verdade insofismável: as pessoas só dão real valor às coisas, às pessoas quando as perdem. De vez. Triste, não é?
No meio disto tudo, lá se safou o momento telefónico com uma amiga minha que me ligou para se queixar de certa pessoa. No meio do tom sério da conversa, sai-me a analogia de que, porra, estamos rodeados de "caracteres-Chernobyl, todos deficientes".
Riu durante 3 minutos, enquanto eu repetia "Pronto, já chega. Pronto, pron..cala-te caraças!".
Eu estava a falar a sério. Mas também estava a precisar de rir...
quinta-feira, 23 de abril de 2015
Não há sucesso sem olheiras
Chamou-me ao gabinete. Fechou a porta.
De cabeça erguida, estendeu-me a mão e com lágrimas nos olhos, disse-me o veredicto final: "Kikas, vou-me embora daqui a três semanas."
Estávamos à espera desta notícia há meses, conjecturávamos como seria o depois, mas rematávamos sempre com um aliviante "Mas não se sabe ainda, logo se vê".
Esse dia finalmente chegou e percebi que por mais nos preparemos para um momento, seja ele qual for, nunca estaremos verdadeiramente preparados. Estremeci ao tomar consciência da dimensão das mudanças que por aí vêm.
Não sei se é ela que vai perder o seu braço direito, ou se sou eu que vou perder o meu...acho que perdemos as duas. Vamos andar meio manetas durante uns tempos mas, qual lagartixas que regeneram a cauda, crescerão novos braços. Cresceremos, agora separadas, cada uma no seu lado.
A sua dureza, por vezes mal interpretada e pouco compreendida, ensinou-me muito e hoje agradeço-lhe por isso. Vou sentir falta.
Falámos durante muito tempo, pusemos em perspectiva o nosso percurso, traçámos metas para nas próximas semanas "arrumarmos a casa" e desejei-lhe muita sorte para o novo futuro.
Quando me preparava para sair, voltou a chamar-me e em tom grave disse-me: "A partir de agora é consigo, vai ter de estar preparada. Confio em si e sei que é capaz. Aguente bem, porque, kikas, não há sucesso sem olheiras."
Sei bem disso. Se sei...e tenho medo.
De cabeça erguida, estendeu-me a mão e com lágrimas nos olhos, disse-me o veredicto final: "Kikas, vou-me embora daqui a três semanas."
Estávamos à espera desta notícia há meses, conjecturávamos como seria o depois, mas rematávamos sempre com um aliviante "Mas não se sabe ainda, logo se vê".
Esse dia finalmente chegou e percebi que por mais nos preparemos para um momento, seja ele qual for, nunca estaremos verdadeiramente preparados. Estremeci ao tomar consciência da dimensão das mudanças que por aí vêm.
Não sei se é ela que vai perder o seu braço direito, ou se sou eu que vou perder o meu...acho que perdemos as duas. Vamos andar meio manetas durante uns tempos mas, qual lagartixas que regeneram a cauda, crescerão novos braços. Cresceremos, agora separadas, cada uma no seu lado.
A sua dureza, por vezes mal interpretada e pouco compreendida, ensinou-me muito e hoje agradeço-lhe por isso. Vou sentir falta.
Falámos durante muito tempo, pusemos em perspectiva o nosso percurso, traçámos metas para nas próximas semanas "arrumarmos a casa" e desejei-lhe muita sorte para o novo futuro.
Quando me preparava para sair, voltou a chamar-me e em tom grave disse-me: "A partir de agora é consigo, vai ter de estar preparada. Confio em si e sei que é capaz. Aguente bem, porque, kikas, não há sucesso sem olheiras."
Sei bem disso. Se sei...e tenho medo.
Sacríficios
- "Kikas, sente-se lá aqui. É melhor sentar." - diz ele enquanto se levanta.
- "Deixe estar, vejo bem daqui." - respondo, olhando de esguelha para a cadeira. Na verdade, sem óculos não estava a ver a ponta de um corno.
- "Sente, sente."
E lá sento. Na pontinha, tentando desviar a minha a minha atenção do assento quente e húmido que me ferve no rabo...
- "Deixe estar, vejo bem daqui." - respondo, olhando de esguelha para a cadeira. Na verdade, sem óculos não estava a ver a ponta de um corno.
- "Sente, sente."
E lá sento. Na pontinha, tentando desviar a minha a minha atenção do assento quente e húmido que me ferve no rabo...
segunda-feira, 20 de abril de 2015
Charme
Em formação, a hora do cafezinho é o momento da demonstração real das nossas aptidões, sem dúvida:
Tiro o café da máquina, com muito jeitinho. "Consegui", pensei. Acto contínuo, bato com o copo na máquina, salta café para cima da senhora ao lado, para o chão, para cima da pilha de copos da água. "Ai Colega, desculpe, que desastrada! Quer ajuda? Um guardanapo. Um pouquinho de água. Que porcaria!". Ela sorri, "Ora essa, isto não é nada". Estou desculpada.
Sigo para a parte do açúcar.
Ainda oiço um "Ihh quem é que fez isto? Queria um copo limpinho...".
Finjo-me de morta.
Abro o pacote de açúcar e espalho tudo por cima da mesa ainda molhada. Sorriso nervoso.
Desisto. Largo tudo e saio de mansinho, deixando um cenário de guerra atrás de mim.
Sigo para a parte do açúcar.
Ainda oiço um "Ihh quem é que fez isto? Queria um copo limpinho...".
Finjo-me de morta.
Abro o pacote de açúcar e espalho tudo por cima da mesa ainda molhada. Sorriso nervoso.
Desisto. Largo tudo e saio de mansinho, deixando um cenário de guerra atrás de mim.
A espalhar magia desde 1984.
* Minutos mais tarde, voltei com um guardanapo para limpar a mesa e a dignidade.
* Minutos mais tarde, voltei com um guardanapo para limpar a mesa e a dignidade.
segunda-feira, 13 de abril de 2015
Hoje a agenda está cheia
Descubro sempre as datas importantes pelo Facebook.
Nunca sei (ou não me lembro) o dia de nada e mesmo o Dia das Mentiras só o descubro porque costumo ler/ouvir coisas sem nexo, que me fazem desconfiar que alguma coisa não está a bater certo [Engraçado.A este propósito estou agora a recordar-me do fim de uma relação, há 4 anos, precisamente nessa data. Aquilo de facto cheirou-me mal, feita esperta pensei logo "Humm..querem ver que é mentira? Ah....não?". Pronto, por acaso parecia! Mas não era. Busted!].
Ora, hoje é o Dia do Beijo.
Apraz-me dizer que marcam sempre as coisas importantes para datas que não me dão jeito nenhum.
domingo, 12 de abril de 2015
Saí do armário!
Mentira. Ainda não é hoje que saio.
Contrariamente a (quase) todos os pontapés de saída de um blogue, este não é um post para "os outros", com uma mensagem alegre de quem apresenta a sua nova casa aos convidados.
Saio do armário precisamente no dia em que mais me apetece estar fechada e protegida dentro dele.
Sigo blogues há dez anos, há mais de cinco que volta e meia me passa pela cabeça começar escrever e há quase três criei um, que tem estado em branco até hoje.
Sempre fui meia avessa à exposição própria, ao reconhecimento pelo nome, ainda que fictício. Talvez por isso nunca fale sobre sentimentos e estados de espírito nas redes sociais e raramente comente os blogues que leio.
Quando sinto necessidade de "gritar", acabo sempre por me expressar através de uma piada, de uma ironia bem humorada, por expor as minhas peripécias diárias e o meu lado menos sério que pouco ou nada diz sobre o que estou a sentir. É como se estivesse a fazer pontaria a um alvo, convicta de que vou acertar no centro, mas no último momento acabe, invariavelmente, por acertar em qualquer coisa que está dois metros ao lado. Uma falta de jeito propositada.
É engraçado e quase irónico que a minha vida profissional passe exactamente pela necessária exposição de ter de escrever o que me parece sobre vários assuntos relativos à vida de outras pessoas, mas depois, seja tão difícil escrever sobre mim. Que raio!
Só que as coisas difíceis costumam ser assim mesmo: complicadas de sair, cheias de senãos, receios e dúvidas.
Hoje decidi-me.
Fui movida pelo sentimento sufocante daquilo que se passou comigo ontem, que nunca imaginei vir a passar e acho que jamais terei coragem de partilhar com alguém que conheço. Uma imagem gravada na minha memória, que passa em flashes vezes e vezes sem conta e que não me deixa descansar.
Hoje só uma voz teria o poder de me acalmar. Só um abraço seria capaz de aliviar isto que tenho cá dentro e levar-me de volta para o conforto daquilo que conheço e que me faz sentir bem e protegida...em "casa". Precisava tanto!
Não falarei sobre o assunto, mas percebi que pelo menos é reconfortante ter um sítio onde podemos escrever o que nos apetece: seja bom ou mau, seja sobre tudo ou sobre nada, elaborado ou só parvo, mais ligeiro ou mais sério, independentemente de vir a ser lido pelo mundo inteiro, por três pessoas ou apenas por mim.
Não me interessa agora. Será o que eu quiser, quando eu quiser. Sem regras nem pressões.
Por ora, abrirei apenas a porta do armário e ficarei, duvidosa e ainda a medo, a espreitar lá para fora.
Pode ser que um dia me decida a sair de vez.
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