Chamou-me ao gabinete. Fechou a porta.
De cabeça erguida, estendeu-me a mão e com lágrimas nos olhos, disse-me o veredicto final: "Kikas, vou-me embora daqui a três semanas."
Estávamos à espera desta notícia há meses, conjecturávamos como seria o depois, mas rematávamos sempre com um aliviante "Mas não se sabe ainda, logo se vê".
Esse dia finalmente chegou e percebi que por mais nos preparemos para um momento, seja ele qual for, nunca estaremos verdadeiramente preparados. Estremeci ao tomar consciência da dimensão das mudanças que por aí vêm.
Não sei se é ela que vai perder o seu braço direito, ou se sou eu que vou perder o meu...acho que perdemos as duas. Vamos andar meio manetas durante uns tempos mas, qual lagartixas que regeneram a cauda, crescerão novos braços. Cresceremos, agora separadas, cada uma no seu lado.
A sua dureza, por vezes mal interpretada e pouco compreendida, ensinou-me muito e hoje agradeço-lhe por isso. Vou sentir falta.
Falámos durante muito tempo, pusemos em perspectiva o nosso percurso, traçámos metas para nas próximas semanas "arrumarmos a casa" e desejei-lhe muita sorte para o novo futuro.
Quando me preparava para sair, voltou a chamar-me e em tom grave disse-me: "A partir de agora é consigo, vai ter de estar preparada. Confio em si e sei que é capaz. Aguente bem, porque, kikas, não há sucesso sem olheiras."
Sei bem disso. Se sei...e tenho medo.
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