sexta-feira, 31 de julho de 2015

Andamos literalmente metaforicamente f*didos

Desço lá abaixo e como já vem sendo habitual nos últimos tempos, o ambiente que paira por aqui não é dos melhores. Hoje por acaso não sou eu, que estou bem leve, assim saltitona, até porque é sexta feira e não há necessidade de gastar muitas energias - vamos dando vez uns aos outros, que isto não há coisa má linda do que a solidariedade moral e institucional da chatice.

Eu - Eh lá! Que cara é essa?
Colega - Nem me fale. Estou literalmente com a mosca hoje, é que literalmente!
Eu - A mosca é que não está literalmente consigo, que não estou a ver nenhuma...
Colega - Hum? Estou chateada! A kikas percebeu.
Eu - Claro que sim, estava a brincar com a metáfora...Não se aborreça, é sexta feira!

É uma praga este abuso do sentido literal para expressar um figurativo, sendo que ambos são literalmente antónimos. São poucas as vezes que oiço um "estou literalmente na merda" (para expressar um sentimento de tristeza) que a minha cabeça não me remeta para a imagem da alegria do meu cão a rebolar-se em cima de um cocó (actividade que ele muito aprecia sempre que nos apanha distraídos).
Nestes casos, parece-me que mais do que não conhecer - ou já ter esquecido - a gramática, o grande mal é haver momentos na nossa vida em que as grandes fodas metafóricas ultrapassam olimpicamente as literais.
 
 

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Fashion adviser

Nas compras, sozinha, saio do provador com umas calças que no cabide pareciam lindas, mas em mim pareciam um pijama.
Indecisa, olho-me pelo o espelho grande. Dou uma voltinha, mais outra, olho por trás...Uma mãe que aguardava do lado de fora pela filha, observa-me com atenção e diz:
- Ficam-lhe muito bem.
- Obrigada, mas não sei...isto com sandálias rasas pareço que estou de pijama! - respondo.
- Mas isso fica muito bem com umas plaNtaformas!
Aguento-me firme.
- Com plataforma acho que não é adequado...
- A plaNtaforma fica bem com tudo! Com uma saia bem curtinha, com uns calções daqueles curtos uma plaNtaforma também vai muito bem. Eu, se tivesse pernas, usava plaNtaformas o Verão todo.
Os cantos da minha boca já não estavam a aguentar. Só me lembrava da senhora que se queixava dos problemas da Ómidade.
Agradeci e fugi para dentro ainda a tempo. Por pouco.

Desisto

Depois da experiência dos iogurtes para o lanche, começa cada vez mais a ganhar força a convicção de que a "alimentação saudável" não leva nada de mim.
Não jantei em casa. 
Depois de estar ali, vai não vai entre um hambúrguer e uma coisa "levezinha, que não faz mal nenhum", optei pelo salmão grelhado cheio de verdes a acompanhar, ervas aromáticas e o catano.
O resultado é serem estas horas (há uns tempos atrás, uma da manhã era o início da noite...estou um nojo de tão bem comportada), já estar a cambalear de sono, mas ter de estar sentada na cama, com uma água das pedras na mão para evitar expelir as entranhas.

Salmão...Salmão grelhado um raio! Burra. Tenho a certeza que o McDonald's não me ia deixar ficar mal.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Faça lá outra vez!

Tenho uma mania que é apanhar os tiques das pessoas e imitá-las.
Já em pequena, pelos 3 anos, imitava a minha mãe, uma pessoa com expressões e trejeitos muito característicos. Aquilo era uma festa na casa da minha tia sempre que apanhava a minha mãe distraída, não fosse eu ver aqueles olhos do demo e acabar-se logo ali a risota (eu ainda sou do tempo em que bastava um dos pais arregalar os olhos, com "aqueles" olhos, para ficar tudo em sentido. Quer dizer, às vezes).
Qual macaquinha bem mandada, bastava que me dissessem "Imita lá a tua mãe, que ela não está a ver. Como é que ela faz?", e lá ia eu a correr buscar uma cadeira, trocava a perna, fingia tirar um cigarro e de nariz empinado lá ensaiava, ainda sem diccionar bem as palavras, um qualquer raspanete da praxe com voz meio anasalada - não sei onde a minha mãe apanhou estas coisas, pois ela está para Cascais como eu estou para Mirandela: nada a ver.
E lá riam todos, para meu deleite.

Os anos foram passando, a criança cresceu em tamanho, mas em espírito nem sempre.
Embora tenha um trabalho que exija uma postura séria, de vez em quando lá abro uma excepção, ainda que involuntariamente. Sem querer, já dei comigo a encenar enquanto relato determinados episódios entre colegas. Sai-me!A seriedade da situação é então rapidamente desmanchada pelos risos, "É que é mesmo assim! Faça lá oura vez!".
A preferência vai para a imitação do sotaque de uma senhora ucraniana. Aconteceu numa situação e ninguém se esqueceu.
Hoje, cheguei lá abaixo aborrecida com um assunto. A técnica daquelas sacaninhas (expressão usada com carinho) é desarmarem-me com "Deixe lá isso! Imite lá o sotaque da Dr. X, para nos rirmos todos um bocadinho! Vá lá".
Sorrio. Mas já não tenho 3 anos e o bom senso aconselha-me a recusar delicadamente.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Vou amuar

When asked why all Minions were male, the creator said "Seeing how dumb and stupid they often are, I just couldn't imagine Minions being girls"
 
É fofo. É justo.
Mas ainda assim, o que quero mesmo é ir ver o Terminator Genisys, e toda gente me torce o nariz...Sofro.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

O meu herói


 Costumo falar muito sobre os conselhos que o meu pai me dá, que me ensinam muito, ainda que agora em idade adulta, por vezes me recuse a aceitá-los (frequentemente dando-lhe razão mais tarde) ou lhes torça o nariz. Faz parte. Mas oiço-os sempre porque, para mim, o meu pai é a imagem da sabedoria, da força, da coerência, da perseverança - é tudo o que um dia eu gostava de ser. Gostava de ser Grande. Só não acho possível vir a conseguir ser como ele porque aí não há hipótese...o meu pai é, simplesmente, Enorme.
Ontem, a lição veio da forma mais chocante e mais crua, sem espaço ou tempo para as palavras.
Após o jantar, o meu pai quis ir visitar a minha tia, irmã dele. Nunca acontece durante a semana, mas ontem, bem, ontem parece que “tinha de ser”. Quis a companhia da minha mãe que, por estar atarefada com arrumações e outros assuntos, recusou ir. “Porque não vamos amanhã e eu hoje acabo isto?”, ainda perguntou - “Porque não, porque quero ir hoje. E vou.”.
Aquele homem, que detesta andar sozinho e tem sempre a necessidade de ir a falar com alguém, não saiu sem antes ir desafiar-me ao quarto. Eu, qual velha, a desfazer-me de cansaço frente à televisão depois de um dia extenuante de trabalho (pronto, estou a dramatizar, era preguiça mesmo), ainda arrisquei um "não me apetece" mas lá fui convencida.
Chegados à casa da minha tia, pelas 21:30h, silêncio total.
Pessoas normais teriam pensado que não estava ninguém em casa, ou que já estava tudo a dormir, teriam rodado os calcanhares e ido embora. Mas não, nós não somos normais. O meu pai não descansou enquanto não soube da irmã. Ora batia à porta, ora tentava o telemóvel, ora o telefone fixo que insistentemente ouvíamos tocar lá dentro.
Algum tempo depois, a porta abriu-se. Descalça, de vestido atabalhoadamente enfiado por cima da camisa de dormir, a minha tia recebeu-nos com um sorriso. Já estava deitada, "ah mas uma visita sabe sempre bem".
Sentámo-nos no pátio em redor da mesa de jardim, onde mais tarde apareceram os meus dois primos que se juntaram à conversa. O convívio ia animado, tudo a falar ao mesmo tempo de forma ruidosa e confusa, como é hábito nesta família de gente maluca. Até que de repente, a algazarra foi interrompida pelo meu pai que, estando sentado de frente para a irmã, reparou que ela não se mexia há algum tempo.
"Estás a sentir-te bem?" - não obteve resposta. Foi então que olhei para a minha tia e fiquei aterrorizada. De olhos abertos, parados e vidrados no infinito, cabeça ligeiramente tombada para a frente, ela não tinha qualquer reacção. Começámos a abaná-la mas o corpo não respondia, a expressão não se alterava, olhos vidrados no infinito. Não respirava, parecia estar morta.
O meu pai saltou imediatamente da cadeira e começou a manobra de reanimação, respiração boca a boca (uma força capaz de encher um pneu), 1,2,3...nada.
Os meus primos entraram em pânico, um pânico bloqueador entre choro e gritos, "Ai a minha mãe morreu, a minha mãe está morta", às voltas pelo pátio de mãos na cabeça, pareciam ter perdido a capacidade de raciocínio e de acção.
Tentando manter a frieza de espírito, que não sei onde fui buscar, peguei no telemóvel para chamar o INEM. Responder de forma calma e correcta à meia dúzia de perguntas que me fizeram mas que naquele momento me pareciam intermináveis, não foi tarefa fácil.
Dois minutos. O meu pai continuava ainda sem sucesso, a manobra de reanimação. Respiração boca a boca, 1, 2, 3, nada. Três minutos....quatro minutos...Há quanto tempo já estaria assim? Ele não desistia. Mais ar, 1, 2, 3....foi então que ouvimos um inspirar profundo, um "ai" sumido e arrastado.
"Ela está a reagir!", gritava-se. Respirou-se de alívio.
Aos poucos, até a ambulância chegar, ela foi estabilizando e os ânimos foram acalmando. Operada ao coração há cerca de dois anos, tinha tido uma paragem cardiorrespiratória.

Foi então já no carro, a caminho do hospital, que comecei a pensar em tudo aquilo e no rol de "ses" que me assaltaram. E se o meu pai não estivesse ali? E se nós não estivéssemos lá, se o meu pai não tivesse insistido à porta, teria ela morrido durante o sono? Pior, e se tivesse sido com o meu pai, o que é que eu faria? De cinco irmãos, dois faleceram de ataque cardíaco, o meu pai foi o último a ser operado, impossível não pensar nisso nem que seja como mera hipótese...olhei para ele. Ia a conduzir, certamente preocupado mas sereno, com aquela expressão impenetrável que o caracteriza.
Nunca vi o meu pai chorar. Nunca vi o meu pai não saber o que fazer, impressionante, sabe sempre. Resolve sempre, com a lucidez e o sentido prático que ninguém consegue manter. Tem aquela força que poucos têm...caramba, queria ser como ele.
No meio do silêncio, desabafei "Julguei que a tia estivesse morta".
"É um erro pensar isso. Nunca se desiste de uma pessoa por pensar que está morta. Tenta-se sempre, o tempo que for preciso, sem desistir até mesmo ao fim". Tem razão. Foi o que o meu pai fez, não desistiu quando todos tinham desistido, e graças a isso, hoje a minha tia está viva.

sábado, 18 de julho de 2015

Super Bock Super Treta


Chegada do SBSR, tenho a dizer que nunca vi uma organização tão má, tão fraudulenta.
De repente, lembrei-me porque é que há anos já não punha os pés num festival. Já fui a alguns, mas os últimos foram em 2008, Rock in Rio e Optimus Alive, dos quais guardo episódios épicos, por boas e más razões
Desde então, confesso, houve cartazes que me seduziram bastante, como o NOS Alive do ano passado, mas por falta de oportunidade não fui.
Este ano lá se proporcionou, "ah e tal vão os Blur, vai ser espectacular, vem!", e eu fui. Depois de um dia de trabalho, porque não largar os saltos, pôr os ténis e ir curtir?
A noite começou bem, um grupo de amigos porreiro, cheio de energia que se revezou por vários palcos. Ora íamos para lá, ora voltávamos para cá, encontrámos muita gente conhecida, aconteceu-me também uma situação muito engraçada que me pôs um sorriso na cara.
Estava tudo a correr bem, o espírito em altas, a noite prometia boa disposição quando o improvável aconteceu.
Ora bem:
Deixámos os casacos e outros pertences no bengaleiro, à entrada, por sugestão do segurança.
Quando já estávamos posicionados à frente do palco, a 15 minutos de começar o concerto mais esperado, devido a um imprevisto, a minha cunhada teve de se ausentar e ir buscar o casaco.
A demora estava a ser grande, já estávamos a estranhar, e o meu irmão decidiu ir ver o que se passava.
Eis que descobre que, depois de ter o casaco, a minha cunhada tentou entrar e, surpresa!, já não pôde. Não autorizaram. "Porquê?", perguntou ela. "Porque eu preciso de autorizar e eu não autorizo", respondeu o brutamontes do segurança.
Note-se que o bengaleiro fica ainda dentro do recinto, mas fora de uma das três barreiras de protecção. Um observador normal, tal como as coisas estão dispostas, nunca perceberá que o balcão fica, teoricamente, "fora".
Depois de argumentos patéticos de autoridade, ela desistiu de entrar - estando, repito, ainda dentro das três barreiras de protecção, que separam o recinto do exterior.
O meu irmão disse ao segurança que precisava falar com a mulher, que se encontrava do outro lado da grade, a dois metros de distância, com um armário à frente.
Quando quis regressar...O quê, regressar? Andar dois metros para trás? Não pode.
E não pôde mesmo.
Depois de muitas trocas de argumentos, de alguns ânimos exaltados e de o meu irmão exigir o livro de reclamações (que não queriam dar), a polícia foi chamada e gerou-se todo um teatro patético. Sorte isto não ter sido em Guimarães...digo eu.
Entretanto cheguei. Falei calmamente com o palhaço de colete amarelo, mas conversar com neurónio e meio nunca levou ninguém muito longe.
"A minha cunhada tem o meu ticket do bengaleiro, preciso de o ir buscar.", disse eu finalmente, olhando para ela, do outro lado, a 5 metros de distância. "Não pode". Não o quê? Eu paguei e estou prisioneira cá dentro? Ridículo, o cúmulo da ignorância gritante. O regozijo do pequeno poder(zinho) de quem até poderá levar carolos da mulher em casa, mas na rua é um valentão.
Resultado: duas pessoas que pagaram 50 euros cada uma, não puderam assistir ao concerto que ansiaram ver por pura incompetência, má fé e intransigência acéfala da organização e daqueles que para ela trabalham.
Uma pessoa é incentivada a deixar os seus pertences num sitio, à entrada - casacos, malas, carteiras, etc -  sem que haja o bom senso e a boa fé de avisar "olhe que só pode levantar quando sair", e se precisar deles não pode regressar para usufruir daquilo que pagou??
É criminoso.
Voltei para ver o concerto, que já não me soube bem. Por mim, ter-me-ia borrifado naquilo tudo e ido embora, mas havia um grupo de amigos que merecia aproveitar a noite sem mais aborrecimentos.
A reclamação, essa, ficou devidamente registada em sede própria.
Super Bock Super Rock? Nunca mais.
Nojo.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Dadores de tempo

No domingo, contrariamente ao que acontecia há alguns anos, não consegui ficar na cama até tarde (ser crescido tem destas coisas: durante a semana maldizemos o despertador e a vida, ansiamos todos os dias pelo fim de semana e depois, quando podemos ficar na ronha, acordamos ainda mais cedo, toma lá!).
Decidi levantar-me e ir tomar calmamente o pequeno almoço à esplanada por baixo da minha casa.
Enquanto apreciava este raro grande prazer que é apanhar o sol da manhã, reparei no letreiro colocado à porta da igreja, logo ali ao lado. Lembrei-me de repente do email que tinha recebido na sexta-feira com um apelo e que, com a pressa egoísta dos afazeres “prioritários”, não tinha lido convenientemente.
Estava a decorrer uma recolha de amostras de sangue para encontrar dador de medula óssea compatível com uma pessoa que aqui trabalha e que necessita urgentemente de um transplante.

Tenho absoluto pavor de agulhas. Sou daquelas mariquinhas que diz que vai desmaiar, que não pode olhar e que até aos 21 anos levava sempre alguém às análises para segurar a mão. Já depois dos 25 ainda levei companhia para a sessão de "ais" da vacina do tétano...verdadeiramente irracional e embaraçoso.
Sem pensar muito, tentando ignorar a minha cagarolice, entrei na igreja e dirigi-me à sala onde estavam a fazer a recolha. Só então me apercebi que, apesar de viver ali há mais de 20 anos, os únicos motivos “nobres” que me fizeram entrar naquela igreja foram para cantar no coro - no qual só entrei porque era apaixonada por um rapazinho que lá estava, ah!, a nobreza do Amor – e para ir a uma missa do galo com uma amiga que insistiu muito comigo.
Ali estava eu. A sala estava praticamente vazia, apenas duas pessoas sentadas, o que achei triste.

"É para quê?", perguntaram. Afinal, a recolha tinha mais finalidades. "É para medula óssea", respondi apressadamente ao lembrar-me das "litradas" de sangue que sacam a quem ali se deita.
Seguiu-se o preenchimento dos papéis e depois a consulta médica. Quando entrei naquele gabinete, confesso que ainda não tinha amadurecido a ideia  e que não sabia nada sobre os procedimentos propriamente ditos, para além daquilo que é do conhecimento geral.
Com muita paciência e de forma extremamente pormenorizada, foi-me explicado que existe dois métodos de colheita de células para transplantação de medula: uma em que as células são colhidas do interior dos ossos da bacia, através de uma intervenção cirúrgica que exige 24 horas de internamento; e outra, para alguns casos, em que a colheita é feita no sangue periférico a partir de uma veia do braço, exigindo algum tempo de preparação medicamentosa.
Sem eu notar, a minha expressão facial devia ir mudando ao sabor das dúvidas pelo que, a dado momento, a médica sentiu a necessidade de parar e de me tranquilizar: "Claro que pode sempre arrepender-se e retirar o consentimento, mesmo depois de se encontrar um doente com quem seja compatível! Mas aí..." - "Aí eu jamais diria que não.", respondi.

Foi nesse momento que me apercebi do ridículo e da pequenez dos meus medos.
Medo de quê, de agulhas? O que é o medo de agulhas perto do medo de perder a vida, de não ter tempo para viver tudo o que ainda não se viveu?
A probabilidade de se encontrar um dador compatível, no mundo inteiro, é reduzidíssima. Quem se propõe a ser dador de medula óssea, não pode ignorar o tamanho da responsabilidade que tem em mãos. Que género de carácter teria a coragem e a hipocrisia de dar esperança a alguém e, em seguida, roubá-la com um fútil "não"?
Se eu não tinha essa consciência, ganhei-a ali, naquele momento. Não sei o que me levou àquela igreja, não sei se aquilo que me fez mexer foi puro altruísmo ou o egoísmo de me querer sentir bem. Mas que interessa?
Interessa fazer.
Perdemos demasiado tempo a tentar ser a diferença na vida de quem não quer que façamos parte dela, mas mesmo assim preocupamo-nos, lamentamos demasiado aquilo que simplesmente não depende de nós. Choramos e massacramo-nos pelo trabalho chato, pelos sonhos (ainda) não alcançados, pelas pessoas e as oportunidades que deixamos escapar entre os dedos...mas temos a vida toda para superar, mudar e encontrar o que nos faz feliz.
Enquanto isso, ao nosso lado ou em qualquer parte do mundo, existe alguém à espera apenas da oportunidade de ter tempo para fazer esse caminho. E é exactamente aí que quero poder fazer a diferença. Sem dúvida.

Sentei-me na cadeira, estendi o braço e virei a cara. Afinal, não doeu nada.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Vai para a iogurteira que te pariu!

O problema de trazer um iogurtezinho para “manter a linha”:
1º - Passo horas a medir qual a melhor hora para come-lo, e “aguentar sem fome até ao jantar”;
2º - Aguento sem fome 1 minuto e meio, aquele que demorei a comer o iogurte;
3º - Desvairada, vou ao bar comprar um croissant com chocolate;
4º - Compro também um chocolate ,“já que é para a desgraça, é para a desgraça”;
5º - No fim, feitas as contas, comi um iogurte e apanhei uma overdose de chocolate.
Iogurtes Zero...zero gorduras, zero açúcares, zero à esquerda. São tão zero que nem os sinto no estômago.
Trazer iogurtes para o trabalho nunca pode ser bom. Sai caro e apenas serve para manter uma única linha: a curva.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Jovens mas com limites

Em conversa com uma amiga pré-histórica (não é ela, claro, a amizade):
Ela: Há tanto tempo que não fazemos férias todas juntas, tem de ser este ano!
Eu: Acho que nunca conseguimos passar todas juntas, faltou sempre uma.
Ela: Tens razão. Temos de fazer uma coisa que lembre os velhos tempos, quando éramos novas.
Eu: Sim! Tipo o quê?
Ela: Vamos acampar!
Eu: Esquece.
Ela: Não queres ser jovem?
Eu: Já não.

Já acampei muito. Gostava e foram momentos muito bons.
Mas é certo que a minha má relação com os insectos, especialmente aranhas, nunca teve idade. E as minhas costas já não perdoam a falta de um colchão.
Vamos ser sinceros: eu não estou madura, eu já estou podre!

terça-feira, 14 de julho de 2015

O dia em que perdi a compostura

Por aqui temos toda a espécie de animais que, amiúde, espalham o terror: milhões de mosquitos, lagartixas, ratazanas e ratinhos pequenos, baratas e pessoas.
Tirando as baratas, consigo bem lidar com todos os outros. Quer dizer, “bem” depende dos dias, que há coisas em que eu sou imprevisível. Aquela piada de que “os ursos polares gostam de frio, os bipolares uns dias gostam, noutros não” cai-me que nem uma luva, confesso.
Adiante. Ontem foi o dia da barata, esses seres capazes de me levarem aos actos mais primários de histerismo.
Reunião com 20 pessoas. Tudo a fingir um ar sério, mega profissional e coiso.
Depois de pousar os mil papéis que trazia, de óculos na ponta do nariz, puxo a cadeira e sento-me. Não aqueci o lugar nem dois minutos. Cai do tecto, mesmo à minha frente em cima da mesa, uma barata gigante, castanha e nojenta.
Caiu a barata, e caiu todo um ar sério e compenetrado de não-brinquem-comigo-eu-percebo-bué-disto (não é verdade, mas o ar é convincente). Eu e a minha colega do lado saltámos imediatamente das cadeiras e, entre gritos e movimentos irreflectidos de sacudir o cabelo, a roupa e os braços, fugimos para o lado oposto da sala, perante o olhar estupefacto de toda uma plateia divertida.
Uma barata! Não me sento aí, não consigo! Mate-a! Não, não mate! Tire-a! Ai, não consigo ver.
A dita foi eficazmente esborrachada por um homem. Não, Homem, com “H” grande que, para mim, quem me salva de uma barata, é e merece tudo de bom na vida. Senta-se. A missão teria terminado em bem, se não houvesse duas mulheres irracionais, num canto da sala, a dizer “Ela fica aí? Ai que nojo, ai não consigo. Tire-a, por favor!”
E ele lá se levantou novamente para, com uma folha e a paciência toda do mundo, remover o cadáver do local do homicídio.
Com os ânimos acalmados e entre risinhos parvos de quem toma consciência do ridículo, “Pedimos desculpa, é que foi do tecto…não sei…foi a surpresa…desculpem”, voltámos ao nosso lugar.
De queixo no ar, desconfiadas, a certificarmo-nos de que não pairava ali mais nenhuma ouvimos ainda, vinda lá do fundo da mesa, uma voz a dizer:
“Valeu a pena. O que eu gosto de ouvir mulheres a gritar.”

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Os empata f....fins de semana, claro

Um daqueles fins de semana em que todos saíram. Estou sozinha (ok, o cão não conta), é hora de saborear o raro prazer de não ter condicionantes.
Decido, conscientemente, não marcar nada para domingo. Nem saídas, nem praia, nem esplanadas, nem jantares, nada - ficar só e apenas a gozar o meu silêncio, a minha paz, a minha música.
Passeio-me nua pela casa, ah que liberdade, ah que gostinho, ah que frescura, toda uma harmonia....campainha toca. Fujo a ir buscar o roupão. É o meu irmão e a minha cunhada.
Viemos fazer-te companhia para o jantar.
Mas, mas, eu nem ia jantar!!!
E eis que um plano perfeito de 24 horas de sala vazia, eis que todo um paraíso doméstico de cozinha limpa, televisão desligada, música alta e mamas ao léu se desmorona em dois segundos.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Cinquenta sombras, sei lá, uma catrefada de sombras

Bondage Psicológico.
A minha cabeça tem tido hoje este fetiche: adora obter prazer ao amarrar-me a pensamentos que infligem dor. Chama-se Saudade, essa rameira.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Ganhar vergonha na cara

A falta de competência e a falta de rigor no trabalho são das coisas que mais me cegam, que mais me levam aos píncaros da intolerância.
Tentarem trapacear-me com argumentos ridículos, vazios de coerência e exequibilidade, ao mesmo tempo que fazem aquela cara de "ela nem vai notar que estou a papa-la por parva", é coisinha para me tirar do sério. Mas mantenho a calma. A possível.
Deixar-me estar num sítio de tanta gente incapaz e não sair disto, deixa de ser motivo para me envergonhar deles, e passa a ser um motivo para me envergonhar de mim.
E como não sei nem quero viver assim, está na hora de mudar.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

As colegas adoram partilhar intimidades comigo

Trabalhar numa sala com paredes de pladur é ter o prazer de ouvir uma colega a dar um pum, como se estivesse sentada ao meu lado.
Acabou de acontecer e agradeço a Deus de o pladur não ser à prova de som, mas pelo menos ser à prova de cheiros...

domingo, 5 de julho de 2015

Preciso de apanhar ARRRR

Foi o que gritei ontem.
Os amigos ninja pegaram em mim e levaram-me a um sítio, tão próximo, mas tão distante há muitos anos.
Cortei relações com Tróia há mais de 4 anos. As recordações de tempos bons e felizes que não voltam, os preços exorbitantes dos bilhetes dos barcos, a desvirginação daquelas areias tão minhas, tão nossas, pelos turistas e pelo espírito capitalista...tudo isso fez-me querer afastar dos meus hábitos, dos meus prazeres e das minhas lembranças.
Este fim de semana decidi que chega. Decidi que estava na altura de fazer as pazes com as recordações, que há muito deixaram de incomodar, e de aceitar as mudanças.
Está na altura de construir novas recordações com as pessoas de sempre, as minhas pessoas.

Foi um fim de semana bom, feito de conversas cruzadas, piadas cúmplices, brincadeiras com a bola, patuscadas nas tascas...
Cheguei a casa já tarde, com pena do fim, mas com um sorriso na cara.
Tinha saudades de Tróia. Mas tinha ainda mais saudades minhas.

À chegada:

À partida:

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Português e ouvidos "avareiados"

Porque é que as pessoas têm de falar ao telemóvel a gritar? Estou no café e acabei de ouvir o senhor que está 5 mesas à frente a dizer "essas coisas vareiam muito".
Só os decibéis é que não "vareiam"...