Chegada do SBSR, tenho a dizer que nunca vi uma organização
tão má, tão fraudulenta.
De repente, lembrei-me porque é que há anos já não punha os
pés num festival. Já fui a alguns, mas os últimos foram em 2008, Rock in Rio e
Optimus Alive, dos quais guardo episódios épicos, por boas e más razões
Desde então, confesso, houve cartazes que me seduziram
bastante, como o NOS Alive do ano passado, mas por falta de oportunidade não
fui.
Este ano lá se proporcionou, "ah e tal vão os Blur, vai
ser espectacular, vem!", e eu fui. Depois de um dia de trabalho, porque
não largar os saltos, pôr os ténis e ir curtir?
A noite começou bem, um grupo de amigos porreiro, cheio de
energia que se revezou por vários palcos. Ora íamos para lá, ora voltávamos
para cá, encontrámos muita gente conhecida, aconteceu-me também uma situação
muito engraçada que me pôs um sorriso na cara.
Estava tudo a correr bem, o espírito em altas, a noite
prometia boa disposição quando o improvável aconteceu.
Ora bem:
Deixámos os casacos e outros pertences no bengaleiro, à
entrada, por sugestão do segurança.
Quando já estávamos posicionados à frente do palco, a 15
minutos de começar o concerto mais esperado, devido a um imprevisto, a minha
cunhada teve de se ausentar e ir buscar o casaco.
A demora estava a ser grande, já estávamos a estranhar, e o
meu irmão decidiu ir ver o que se passava.
Eis que descobre que, depois de ter o casaco, a minha
cunhada tentou entrar e, surpresa!, já não pôde. Não autorizaram.
"Porquê?", perguntou ela. "Porque eu preciso de autorizar e eu
não autorizo", respondeu o brutamontes do segurança.
Note-se que o bengaleiro fica ainda dentro do recinto, mas
fora de uma das três barreiras de protecção. Um observador normal, tal como as
coisas estão dispostas, nunca perceberá que o balcão fica, teoricamente,
"fora".
Depois de argumentos patéticos de autoridade, ela desistiu
de entrar - estando, repito, ainda dentro das três barreiras de protecção, que
separam o recinto do exterior.
O meu irmão disse ao segurança que precisava falar com a
mulher, que se encontrava do outro lado da grade, a dois metros de distância,
com um armário à frente.
Quando quis regressar...O quê, regressar? Andar dois metros
para trás? Não pode.
E não pôde mesmo.
Depois de muitas trocas de argumentos, de alguns ânimos
exaltados e de o meu irmão exigir o livro de reclamações (que não queriam dar),
a polícia foi chamada e gerou-se todo um teatro patético. Sorte isto não ter
sido em Guimarães...digo eu.
Entretanto cheguei. Falei calmamente com o palhaço de colete
amarelo, mas conversar com neurónio e meio nunca levou ninguém muito longe.
"A minha cunhada tem o meu ticket do bengaleiro,
preciso de o ir buscar.", disse eu finalmente, olhando para ela, do outro
lado, a 5 metros de distância. "Não pode". Não o quê? Eu paguei e
estou prisioneira cá dentro? Ridículo, o cúmulo da ignorância gritante. O
regozijo do pequeno poder(zinho) de quem até poderá levar carolos da mulher em
casa, mas na rua é um valentão.
Resultado: duas pessoas que pagaram 50 euros cada uma, não
puderam assistir ao concerto que ansiaram ver por pura incompetência, má fé e
intransigência acéfala da organização e daqueles que para ela trabalham.
Uma pessoa é incentivada a deixar os seus pertences num
sitio, à entrada - casacos, malas, carteiras, etc - sem que haja o bom senso e a boa fé de avisar
"olhe que só pode levantar quando sair", e se precisar deles não pode
regressar para usufruir daquilo que pagou??
Voltei para ver o concerto, que já não me soube bem. Por
mim, ter-me-ia borrifado naquilo tudo e ido embora, mas havia um grupo de
amigos que merecia aproveitar a noite sem mais aborrecimentos.
A reclamação, essa, ficou devidamente registada em sede
própria.
Super Bock Super Rock? Nunca mais.
Nojo.
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