quarta-feira, 29 de julho de 2015

Faça lá outra vez!

Tenho uma mania que é apanhar os tiques das pessoas e imitá-las.
Já em pequena, pelos 3 anos, imitava a minha mãe, uma pessoa com expressões e trejeitos muito característicos. Aquilo era uma festa na casa da minha tia sempre que apanhava a minha mãe distraída, não fosse eu ver aqueles olhos do demo e acabar-se logo ali a risota (eu ainda sou do tempo em que bastava um dos pais arregalar os olhos, com "aqueles" olhos, para ficar tudo em sentido. Quer dizer, às vezes).
Qual macaquinha bem mandada, bastava que me dissessem "Imita lá a tua mãe, que ela não está a ver. Como é que ela faz?", e lá ia eu a correr buscar uma cadeira, trocava a perna, fingia tirar um cigarro e de nariz empinado lá ensaiava, ainda sem diccionar bem as palavras, um qualquer raspanete da praxe com voz meio anasalada - não sei onde a minha mãe apanhou estas coisas, pois ela está para Cascais como eu estou para Mirandela: nada a ver.
E lá riam todos, para meu deleite.

Os anos foram passando, a criança cresceu em tamanho, mas em espírito nem sempre.
Embora tenha um trabalho que exija uma postura séria, de vez em quando lá abro uma excepção, ainda que involuntariamente. Sem querer, já dei comigo a encenar enquanto relato determinados episódios entre colegas. Sai-me!A seriedade da situação é então rapidamente desmanchada pelos risos, "É que é mesmo assim! Faça lá oura vez!".
A preferência vai para a imitação do sotaque de uma senhora ucraniana. Aconteceu numa situação e ninguém se esqueceu.
Hoje, cheguei lá abaixo aborrecida com um assunto. A técnica daquelas sacaninhas (expressão usada com carinho) é desarmarem-me com "Deixe lá isso! Imite lá o sotaque da Dr. X, para nos rirmos todos um bocadinho! Vá lá".
Sorrio. Mas já não tenho 3 anos e o bom senso aconselha-me a recusar delicadamente.

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