sexta-feira, 31 de julho de 2015

Andamos literalmente metaforicamente f*didos

Desço lá abaixo e como já vem sendo habitual nos últimos tempos, o ambiente que paira por aqui não é dos melhores. Hoje por acaso não sou eu, que estou bem leve, assim saltitona, até porque é sexta feira e não há necessidade de gastar muitas energias - vamos dando vez uns aos outros, que isto não há coisa má linda do que a solidariedade moral e institucional da chatice.

Eu - Eh lá! Que cara é essa?
Colega - Nem me fale. Estou literalmente com a mosca hoje, é que literalmente!
Eu - A mosca é que não está literalmente consigo, que não estou a ver nenhuma...
Colega - Hum? Estou chateada! A kikas percebeu.
Eu - Claro que sim, estava a brincar com a metáfora...Não se aborreça, é sexta feira!

É uma praga este abuso do sentido literal para expressar um figurativo, sendo que ambos são literalmente antónimos. São poucas as vezes que oiço um "estou literalmente na merda" (para expressar um sentimento de tristeza) que a minha cabeça não me remeta para a imagem da alegria do meu cão a rebolar-se em cima de um cocó (actividade que ele muito aprecia sempre que nos apanha distraídos).
Nestes casos, parece-me que mais do que não conhecer - ou já ter esquecido - a gramática, o grande mal é haver momentos na nossa vida em que as grandes fodas metafóricas ultrapassam olimpicamente as literais.
 
 

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