quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Toda eu estremeço

Inícios de frase que me fazem estremecer:
"Diga-me SÓ uma coisinha (...)"; 
"Veja-me SÓ se é possível (...)";
"Escreva aí SÓ três linhas (...)"
"Dê-me SÓ uma opinião rápida sobre (...)"

Em Direito não existe "-inhas", nem "Sós" nem rapidinhas.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Caminhos sem GPS

Quando conduzo, pese embora considere que na generalidade até conduzo bem, cometo amiúde alguns erros provenientes do facto de não ver muito bem (e nem sempre levar óculos), ou de ir profundamente distraída com os pensamentos ou com uma conversa. Embalada que vou, nem reparo que viro em ruas erradas, sentidos proibidos, becos sem saída. 
Está lá sempre o sinal, mas eu não vejo. 
O erro é notado quando me deparo com a necessidade de voltar para trás, ou, se for acompanhada, pela voz  de alguém que me diz "Então não viste o sinal? Não era para aqui!".
Por vezes acedo, reconheço o lapso num instante, corrigindo-o logo em seguida. Outras vezes não, teimo que estou certa, "Tem saída, tem! É por aqui". E não é...raramente é. Volto para trás, desculpo-me com  a péssima visão, o péssimo sentido de orientação, com o facto de estar convicta, ou então, com um já desesperado "É fácil ir aí ao lado!".
E é, de facto, bem mais fácil. Sou óptima co-piloto, sempre atenta, sempre perspicaz, sempre cautelosa. Aconselho bem, vejo tudo, é difícil haver enganos.

Na vida, acontece igual. Não tenho co-piloto, não quero ter. Faço caminhos, convicta da assertividade, não preciso de óculos. Mesmo quando desconfio que errei no caminho, recuso-me a acreditar nisso, "vou continuar, até encontrar uma parede que me barre", penso. E é com desilusão que a vislumbro, lá ao fundo, alta e imponente. Viro para trás? Não. Preciso de continuar, chegar mais perto...preciso de bater. 
Saio, calculo os estragos, reúno as peças. Estou viva? Estou.
Entro novamente e faço marcha atrás convicta de que não falharei mais nenhum sinal mas, no fundo ,torcendo sempre para que aqueles que vier a encontrar estejam todos errados.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Calor humano

Um aperto de mão firme a quem tem uma uma mão com duas vezes o tamanho da minha, pode ser um acto arriscado.
Três segundos foram suficientes para esfrangalhar uma pulseira que caiu, trucidada, no chão. Não ter ficado sem pulso foi uma sorte.

Receber calorosamente alguém pode sair caro. Mais precisamente, 15 euros. 
Estou desolada.