Eu nunca aprendo.
Mesmo os que me conhecem (não falo dos que não me conhecem porque esses, enfim, nunca sabem do que falam) adoram desenrolar teorias sobre eu ser, para os outros, uma pessoa fria, distante, insensível e essas coisas todas que constroem um "boneco" com o qual se brinca, mas que não corresponde à realidade. Ou, pelo menos, não totalmente.
É verdade que crio uma barreira entre mim e os outros, de forma a não dar muita confiança, sem com isso - julgo eu, ou tento - deixar de ser agradável, comunicativa e educada. Mas depois, quando falamos de coisas sérias, pimbas, lá estou eu caída, sem conseguir ser indiferente.
Como já tive oportunidade de escrever, há uns dias fui contactada por mensagem por alguém que dizia não estar bem.
Não obstante não saber quem é essa pessoa, não consegui ignorar e respondi, tentando dar uma palavra amiga vinda de quem não é, sequer, conhecida.
Tal não foi bastante para me tranquilizar. No dia seguinte consumi-me com aquilo, pensei como estaria a pessoa, "Será que contacto? Será que não?".
Contactei.
Cheia de cautelas no sentido de não demonstrar se era homem ou mulher (nunca se sabe, há malucos para tudo e eu há uns anos já tive a minha dose), lá perguntei se estava melhor, mais animado.
Respondeu que não, falou um pouco mais da sua situação (em grande parte, tinha a ver com a falta de trabalho e as poucas perspectivas que tem) e eu, mais uma vez, respondi a tranquilizar e a deixar algumas alternativas possíveis, caso ele ainda não as tivesse equacionado.
Tive vontade de acrescentar que, se começasse a escrever melhor, talvez aumentasse as hipóteses de sucesso. Não tive coragem (olha a boazinha!). É que aquele discurso confuso, cheio de erros ortográficos, era o espelho do caos daquela cabeça, do desespero, e isso não pode levar ninguém a bom porto...
Espantou-me saber que tem mais um ano que eu, dois cursos superiores e que deu aulas durante 3 anos em Lisboa. Deu aulas, senhores....com aqueles erros! Medo.
Já estava mais tranquila, com sentimento de que tinha feito tudo ao meu alcance quando ele começa a querer saber de mim. Que falasse de mim, o que fazia, o meu nome...Mau. Travão. Amiguinha, mas não tanto.
Respondi que queria manter a discrição e que, por mim, acho que não tinha mais como ajudar.
- Claro, entendo, peco dcp.
Na manhã seguinte, Bom dia.
Não obteve resposta.
Hoje, Bom dia :)
Oh c'um c.....agora já começa a ser inconveniente - pensei. Em alternativa ao ficar calada e ser, eventualmente, entupida de "bons dias" até o fim do mês, respondi a dizer que não via o propósito daquilo e que, para mim, o diálogo estava encerrado. Desejei sorte e terminei com "cumprimentos".
- Concerteza (Ouch. Espetadela final com a farpa ortográfica).
Espero que tenha sido o último contacto. Já não sei se é solidão, desespero ou truque, mas uma pessoa dá um dedo e querem logo o braço todo. O melhor mesmo é agarrar-me agora ao meu "boneco" e deixar de ser parva.