Dia estranho, o de hoje.
Ontem foi cheio de emoções fortes a todos os níveis, os astros uniram-se para abanar tudo num só dia - toma lá que é para testares o multitasking de emoções. Só faltava estar com TPM para ajudar à festa. E daí não sei, pois acho que sofro disso a tempo inteiro.
Qual multitasking, qual quê! Estou farta de dizer que sou uma mulher inapta para essas coisas, não gozo desses superpoderes. Só tenho dois braços, dois ouvidos, um cérebro e um coração e mesmo assim, de repente já conto 6 coisas diferentes, o que é muito bom!
Ontem levei com os abanos todos e hoje sinto-me calma, estranhamente calma. Apática.
Vejo tudo à volta a cair, mas sinto-me como se não estivesse também lá no meio. Como se apenas estivesse de fora, a assistir um filme de tragédia barato, ansiosa para que a parte das letras chegue e eu possa dizer "Granda merda de realizador, este".
Por aqui tudo se descabela. Uma chora, diz que se vai embora também. A outra também diz que não aguenta, que precisa de baixa médica. Outros, passeiam pelo corredor com sorrisos amarelos, conscientes do falso controle que têm sobre a situação. Eu lá vou dizendo "Tenham lá calma, não é o fim do mundo. Não aguenta? Claro que aguenta, ora essa [lembro-me sempre do outro "ai aguenta, aguenta"]. Tudo se faz."
Enfim, digo isto convicta de que é verdade. É certo que também tenho os meus momentos de descontrole, mas são só meus, só para mim. Trato de os controlar rapidamente e de não os passar para fora.
É o histerismo das pessoas que torna o caos mais caótico, ninguém pára para pensar e fazer bem. Enquanto gritam todos ao mesmo tempo, ninguém se ouve, ninguém faz. A imagem do desespero é o cartão de visita da descredibilização e da fraqueza. Ponto.
Enfim, para mim tudo isto é a constatação de uma verdade insofismável: as pessoas só dão real valor às coisas, às pessoas quando as perdem. De vez. Triste, não é?
No meio disto tudo, lá se safou o momento telefónico com uma amiga minha que me ligou para se queixar de certa pessoa. No meio do tom sério da conversa, sai-me a analogia de que, porra, estamos rodeados de "caracteres-Chernobyl, todos deficientes".
Riu durante 3 minutos, enquanto eu repetia "Pronto, já chega. Pronto, pron..cala-te caraças!".
Eu estava a falar a sério. Mas também estava a precisar de rir...
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